ACESSE OS MEUS CANAIS
E VENHA ESTUDAR A CABALA SEM FILTROS
E COM CONTEÚDO DE QUALIDADE
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Essa era a nobre tarefa que
o alquimista buscava realizar, transmutar o coração de chumbo em um coração de
ouro, o vil metal em metal nobre. Esse trabalho sobre si, só é possível através
do autoconhecimento, fora dele é impossível transmutar, ou seja, transcender o
homem mediano, se tornando um homem realizado.
Quando realizamos a
guematria das duas palavras, Peham (carvão): Pei = 80 + Chet = 8 + Mem Final =
600 = 688 = 22 = 2 + 2 = 4, e Yahalom: Yud = 10 + Hei = 5 + Lamed = 30 + Vav =
6 + Mem Final = 600 = 651 = 6 + 5 + 1 = 12 = 1 + 2 = 3, podemos entender que
Peham-carvão corresponde à materialidade (número 4) e Yahalom-diamante,
corresponde à espiritualidade (número 3), somando os dois encontramos o número
7 = Nêtsach-Vitória-Eternidade, o número do Chabat, que significa obra
completa.
Assim, também podemos
dizer que para nos tornarmos um ser realizado, é preciso harmonizar o
entendimento/compreensão (Biná 3) com o amor/misericórdia (Chéssed 4),
requisitos indispensáveis para a transmutação do carvão em diamante nobre e
cristalino.
Esse é o sentido
proposto pela cabalista cristão Jacob Böheme, assim como pelos terapeutas curadores
de si mesmos, que buscavam renascer de uma morte simbólica seguida por uma
ressurreição transfigurística, como a transformação do grafite (carvão) em
diamante, ou seja, do homem natural em homem espiritual.
Nós também somos
constituídos do elemento carbono. Na configuração química de nosso organismo, o
carvão ocupa um lugar de destaque: a qualquer momento, uma faísca pode dele
extrair chamas. É ele a raiz básica de nossa constituição quaternária
biológica, e por seu ciclo, que faz parte de quase todos os tecidos vegetais e
animais, viemos do negro (nigredo) e vamos adquirindo vida, transmutando para o
vermelho (rubedo). Na tradição tibetana, o diamante é “filho do raio”, chamado
de vajra, assim também na Árvore da Vida, na descida do relâmpago através das
sefirot, de Kéter-Coroa até Malchut-Reino, consistindo no mesmo arquétipo.
O ser iluminado é aquele
que reconciliou os opostos, o que encontrou aqui na Terra, após a “queda do
raio”, a pedra angular – “Este Jesus é a pedra que vocês, construtores,
rejeitaram, e que se tornou a pedra angular.” Atos 4.11. Jesus é o
arquétipo solar de Tiféret (Beleza-Harmonia-Equilíbrio) aquele que reconciliou
a Justiça de Guevurá com a Misericórdia de Chéssed, contração e expansão em
harmonia restaurando o sopro da vida.
Que possamos despertar
da escuridão (carvão) existencial para podermos brilhar como um diamante
cristalino.
Paz Profunda.
KADU SANTORO – Teólogo graduado pela Faculdade Batista do Rio de
Janeiro (FABAT-RJ), Escritor, Pesquisador das Ciências da Religião com ênfase
em Mística Judaica, Gnosticismo e Religiões Comparadas, Esoterista, Preletor em
diversos cursos de Cabala, Teologia Espiritualidade e Meditação, Terapeuta
Holístico e Consultor em Espiritualidade.
Contatos para compras
de livros, cursos, palestras, congressos, seminários e workshops: Zap (21)
97252-7014, e-mail: conexaoqabbalah@gmail.com, site: www.conexaoqabbalah.weebly.com.
Quando tu [Aarão] acenderes a menorá, suas sete lâmpadas deverão brilhar em direção ao centro [literalmente, Face] da menorá.” Bamidbar-Números 8.2
O Zohar compara a cabeça
humana à menorá (candelabro) do santuário. A menorá possui 7 lâmpadas nas quais
se coloca óleo. O óleo que é usado na memorá corresponde aos mochin
(faculdades intelectuais), enquanto as 7 lâmpadas representam os sete orifícios
da cabeça: 2 olhos, 2 ouvidos, 2 narinas e 1 boca (Ticunê Zohar, Intro, p.13b).
A estrutura craniana, é
formada por 22 ossos. 8 deles se encontram na caixa craniana e os outros 14 se
localizam na face.
Interpretando através da
Cabala, em nível de Sod – Segredo, podemos entender essas informações da
seguinte maneira: Crânio em hebraico vem da raiz golgoleth que forma a
palavra gólgota e sua guematria é: Guimel = 3 + Lamed = 30 + Guimel = 3 + Lamed
= 30 + Tav = 400 = 466 = 4 + 6 + 6 = 16 = 1 + 6 = 7 = Nêtsach – Vitória –
Eternidade. Esse é o sentido oculto da crucificação de Cristo no lugar da
caveira/crânio, onde aquele que é iluminado alcança o despertar do lótus de mil
pétalas que se localiza no chakra coronário, ou seja, na cabeça. Assim, podemos
entender que Cristo, é aquele que desperta as 7 lâmpadas da consciência, e
assim, ativa os 7 chakras elevando os seus padrões vibratórios, alcançando a
Vitória e a Eternidade, ambas características de Nêtsach, a sétima sefira, onde
o número 7 representa a obra completa, pois foi no sétimo dia que Deus parou
para contemplar a sua criação. O setenário sagrado, é a união do 3 = espírito /
emanação + 4 = matéria / concretização.
Ainda podemos entender a
passagem de Bamidbar-Números 8.2 da seguinte maneira: Quando Aarão acender a
menorá, ou seja, ativar as sete lâmpadas da consciência, deverá brilhar em
direção ao centro de sua face, que significa ativar os seus sentidos de visão,
audição, paladar e respiração no entendimento de estar em estado de presença,
ou seja, em estado de atenção plena. A guematria da palavra menorá: Mem = 40 +
Num = 50 + Vav = 6 + Resh = 200 + Hei = 5 = 301 = 3 + 1 = 4 Chéssed –
Misericórdia. Que sejam os seus sentidos utilizados com misericórdia.
Como vimos acima, a
estrutura craniana é formada por 22 ossos, isso representa as 22 letras
hebraicas. Conforme o Sefer Ietsirá, a criação foi realizada através dessas 22
letras, assim, podemos compreender que tudo é possível de ser realizado através
dos nossos pensamentos, da procedência de Neshamah, o centro intelectual que
possui a mente universal. Ainda, dos 22 ossos, 8 se localizam na caixa
craniana, 8 significa transcendência e eternidade, como diz a Lei do
Mentalismo: “O Todo é Mente; o Universo é Mental.” O Caibalion. Quando tomamos
consciência de que tudo e todas as coisas se encontram dentro de cada um de
nós, devemos voltar-nos para dentro de si, para o caminho esotérico em seu
microcosmo.
Para encerrar, a síntese
da menorá é a Árvore da Vida, começamos a nossa jornada em Malchut e atingimos
a realização suprema em Kéter-Gólgota-Crânio, e por fim, a Eternidade em Ayin
Sof.
Para conhecer mais sobre
os segredos da Cabala, adquira o meu livro, Cabala – Uma Jornada de
Autoconhecimento, considerado como a mais completa obra sobre Cabala da
atualidade. Basta me chamar no reservado ou através do WhatsApp 21 97252 7014
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Paz Profunda.
KADU SANTORO – Teólogo graduado pela Faculdade Batista do Rio de
Janeiro (FABAT-RJ), Escritor, Pesquisador das Ciências da Religião com ênfase
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Toda a criação, seja ela na dimensão espiritual ou material, se manifesta através de três aspectos primordiais: Olam (Mundo), Shaná (Ano) e Néfesh (Alma-Sopro Vivente). Assim, os diversos aspectos da realidade são ativados através de três coordenadas cósmicas: Espaço (Olam), Tempo (Shaná) e Alma (Néfesh).
Nessa ordem, Néfesh consiste naquilo que gera a atividade, o
sopro de vivente, Olam, o que gera os limites espaciais onde se realiza essa
atividade vivente, e Shaná, aquilo que impõe o ritmo no qual é produzida esta
atividade.
Néfesh é a substância formada pelos diversos graus de luz
(or) que se manifestam através do cav/linha de luz que provêm de Ayin Sof (Luz
Ilimitada) a articulação dos níveis da alma: Néfesh, Rúach, Neshamá, Chaiá e
Iechidá. Olam constitui os diferentes estratos onde a alma se manifesta, ou
seja, pelos quatro níveis conscienciais: Atzilut, Briá, Ietsirá e Assiá. Shaná
consiste no processo de revelação dos diferentes aspectos da realidade e da
vida. Assim, o tempo espiritual funciona de acordo com as relações de causas e
consequências, sendo “depois” o efeito resultante da energia produzida pelo
estado que a precedeu.
O segredo cabalístico: a guematria das três palavras: Olam -
Ayin = 70 + Vav = 6 + Lamed = 30 + Mem Final = 600 = 706 = 7 + 6 = 13 = 1 + 3 =
4; Shaná - Shin = 300 + Num = 50 + Hei = 5 = 355 = 3 + 5 + 5 = 13 = 1 + 3 = 4;
Néfesh - Num = 50 + Pei = 80 + Shin = 300 = 430 = 4 + 3 = 7. Somando todos os
valores 4 + 4 + 7 = 15 = 1 + 5 = 6 Tiféret – Beleza e Equilíbrio. É o centro da
Árvore da Vida, ou o centro da cruz, o ponto de encontro do desabrochar da alma
no tempo e espaço. Seis também é o número do homem. Toda a criação foi
estabelecida para que o homem tomasse consciência de toda a realidade.
Na Tradição Hebraica, esses três aspectos encontram-se
associados da seguinte forma: 1º. O Povo (Néfesh-Alma), 2º. A Terra
(Olam-Espaço) e 3º. A Torá (Shaná-Tempo). Podemos também entender
filosoficamente: forma, essência e substância.
Com essa tomada de consciência, podemos compreender que a
nós, seres humanos foram dados alma, tempo e espaço para que possamos ser
co-criadores com o Eterno, criando, conservando e transformado.
Paz Profunda.
Para iniciar a sua jornada através dos ensinamentos ocultos
da Cabala, adquira o livro Cabala – uma Jornada de Autoconhecimento me chamando através do Whatsapp 21 97252 7014 que eu passo todas as
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"Levaram então a Jesus um homem surdo e que falava com dificuldade (sem sabedoria e entendimento), e pediram que Jesus (Tiféret) pusesse as mãos sobre ele. Jesus se afastou com o homem para longe da multidão (afastou-o das vozes interiores – eus); em seguida pôs os dedos nos ouvidos (Chochmá e Biná) do homem, cuspiu e com a sua saliva tocou a língua dele. Depois olhou para o céu (Kéter), suspirou e disse: “Efatah!”, que quer dizer: “Abra-te!” Imediatamente os ouvidos do homem se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade (estabeleceu um novo fundamento de vida). Marcos 7.32-35
A expressão Efatah aparece em grego no
Novo testamento porém a sua origem é mais antiga, possivelmente caldaica e
usualmente aramaica. Significa “Abre-te!”.
Se observarmos a nossa cabeça de
acordo com a anatomia da Cabala, vamos perceber que os dois ouvidos estão
relacionados com os dois lados do cérebro, correspondendo as sefira de Chochmá
(Sabedoria) – lado direito e Biná (Entendimento/Compreensão) – lado esquerdo. A
boca está associada à sefira Malchut (Reino). Jesus é o arquétipo de Tferét
(Beleza-Equilíbrio e Harmonia), corresponde a sefira do coração.
A surdez está relacionada à falta de
sabedoria e entendimento, ou seja, quando o indivíduo não possui a
sensibilidade necessária para discernir aquilo que é escutado – “Os lábios da Sabedoria estão cerrados
exceto aos ouvidos do Entendimento.” O Caibalion
A dificuldade da fala corresponde
aquilo que falamos antes sobre saber escutar, escutar é diferente de ouvir, é
necessário aprender a ouvir para que possa despertar a compreensão. A boca é a
porta de entrada do aparelho digestivo, por ela entram e saem impressões
constantemente, sejam por palavras, alimentos, bebidas etc.
Basicamente nos alimentamos de três
Substâncias: O alimento comum, o ar que respiramos e de nossas impressões. Em
relação aos alimentos sólidos e líquidos é simples de percebermos, mas as
impressões são mais sutis, pode vir como ordem sonora, visual, olfativa,
cinestésica ou vibracional. Essas últimas, além de serem as mais despercebidas,
são as que mais usurpam as nossas energias vitis. Por isso a importância do
autoconhecimento e da auto-observação. Assim, podemos entender que a dificuldade
de fala está relacionada com as nossas dificuldades de preservar energia.
A boca está associada a sefira
Malchut-reino-realização, através dela podemos a-bençoar ou a-maldiçoar – “A morte e a vida estão no poder da língua;
e aquele que a ama comerá do seu fruto.” Provérbios 18.21
Quando juntamos o valor numérico das
letras Shin (Dentes) = 300 + Pei (Boca) = 80 = 300 + 80 = 3 + 8 = 11 = 1 + 1 =
2 = Chochmá – Sabedoria, em outras palavras, da boca sábia (Chochmá) emanam
palavras de entendimento e compreensão (Biná).
É nesse sentido que Jesus ordena ao
homem: “Abra-te! - Efatah” Esse abrir-se é muito mais profundo do que o simples
e mecânico hábito de falar e a escutar, consiste em ressignificar a sua vida
por completo, despertar a consciência, estabelecer um novo fundamento/alicerce,
isso é confirmado na guematria da palavra Efatah: Alef
= 1 + Pei = 80 + Tav = 400 + Hei = 5 = 486 = 4 + 8 + 6 = 18 = 1 + 8 = 9 =
Iessód – Fundamento/Alicerce.
As palavras possuem
poder, quando sábias e edificantes, produzem vida em abundância, mas quanto
torpes, trazem a ruína e a desgraça sobre si e aqueles que se encontram ao seu
lado. Então meus irmãos, aprendam a escutar com mais sensibilidade, para que
possam falar com sabedoria e entendimento, como diz o Apóstolo: “Portanto,
meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar,
tardio para se irar.” Tiago 1.19
Paz
Profunda.
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As dez pragas foram
divididas em quatro estágios. Três delas foram realizadas por Aarão, três por
intermédio de Moisés, uma delas em conjunto pelos dois, e as três últimas
diretamente pela intervenção divina. Essa divisão pode ser entendida através do
ponto de vista cabalístico como a ascensão pelos quatro mundos, as colunas da
esquerda e da direita, a coluna central e a tríade superior localizada no topo
da árvore das dez pragas.
Também podemos
perceber que as pragas relacionadas a Aarão, estão associadas aos elementos
terra e água, enquanto as pragas associadas a Moisés, relacionadas com os
elementos ar e fogo, ambos constituem o quaternário existencial. O número
quatro está relacionado com a estabilidade necessária para que o homem
desenvolva-se a partir de si mesmo.
A Cabala ensina que
toda alma humana é constituída por dez blocos construtores, dez
características/virtudes que formam sua personalidade interna. As três
primeiras constituem a identidade inconsciente da alma e suas faculdades
cognitivas (Kéter-Coroa, Chochmá-Sabedoria, Biná-Compreensão). As sete finais
(Chéssed-Misericórdia, Guevurá-Justiça, Tiféret-Beleza, Nêtsach-Vitória,
Hod-Glória, Iessód-Fundamento e Malchut-Reino) estão relacionadas com o centro
emocional da alma.
As dez
características/virtudes são conhecidas como as dez sefirot, dez emanações ou
dez pontos de energia, como diz no Sêfer Ietsirá: “Dez sefirot do nada, dez e não nove, dez e não onze. Entende com
sabedoria. Sê sábio com entendimento. Examina com elas e sonda delas. Faz com
que [cada] coisa se erga sobre sua essência. E faz o Criador sentar em Sua
base.” Sêfer Ietsirá 1.4
Lembramos ainda que 10
é 1 ( 1 + 0 = 1), ou seja, significa estar pleno, integrado, curado, e em
unidade, o contrário, é a desagregação, a separação, isso é o significado de
falta de saúde, estado de doença. Nesse contexto, o Egito representa um estado
de distúrbio psicológico, onde um ou mais atributos da alma tornam-se fragmentados,
desarmonizando a capacidade humana de ser verdadeiramente quem É. Essa é a
representação do nome hebraico para o Egito, Mitzrayim, que pode ser traduzido como “inibição” ou “restrição.”
Quando não encaramos os nossos próprios demônios interiores, nossas virtudes
pervertidas podem voltar-se colateralmente para nós mesmos, metaforicamente
como pragas desagregadoras da nossa psique.
As dez pragas
demonstram as qualidades negativas contrárias às virtudes das sefirot.
Keter - superconsciente - morte dos primogênitos
Chochmá - concepção - trevas
Biná - inteligência - gafanhotos
Chessed - amor - granizo
Gevurah - rejeição - úlceras
Tiferet - compaixão - calamidade dos gados
Netzach - ambição - moscas
Hod - submissão - piolhos
Yesod - conexão - rãs
Malchut - confiança – sangue
A verdadeira
prática cabalística não consiste em rituais, magias e nem observâncias
religiosas, e sim, na observação atenta de si mesmo, buscando estabelecer a
harmonia em sua Árvore da Vida. Esse é o único caminho a ser percorrido, para
dentro de si mesmo.
Paz Profunda.
KADU SANTORO – Teólogo graduado pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro
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Uma escola espiritual difere de uma religião, embora dentro das religiões se encontre os aspectos de uma escola espiritual de forma implícita, oculta aos olhos dos leigos e não despertos de sua jornada da alma.
A principal característica de uma
escola espiritual autêntica é seu caráter de livre auto iniciação, ou seja, ao
invés de envolver seus adeptos em um ambiente de mistério e mistificações por
anos a fora, procura despertá-lo no caminho do autoconhecimento, de forma que o
neófito possa experienciar toda à sua jornada de libertação do ego em estado de
presença através da lembrança de si mesmo.
A importância da escola
espiritual se fundamenta na energia do grupo através da experiência de troca de
impressões. No grupo é possível observarmos melhor a nós mesmos através do
espelho que fazemos através do próximo, nossos condicionamentos, hábitos e
identificações adquiridas desde a mais tenra infância.
No âmbito da Cabala, o iniciado
deve ter em mente que ele é um universo em miniatura, uma expressão
microcósmica do universo macrocósmico, e que tudo o que ele fizer aqui será
reverberado em todo o cosmos. Esse é o primeiro aspecto que um aluno de Cabala
deve saber, a sua responsabilidade e compromisso diante o universo, lembrando
que ele é um co-criador de toda a realidade junto com os seus colegas de
caminhada dentro da escola espiritual. Essa é a consciência da Lei da
Correspondência: “assim como é em cima, também é embaixo.”
Numa escola espiritual
cabalística todo o trabalho proposto deve ser não apenas compreendido de forma
lógico racional, mas também sentido e experimentado, ou seja, absorvido com
todo o seu ser em todos os três níveis pessoais: Neshamah (intelecto), Rúach
(sentimento) e Néfesh (instinto), só assim o trabalho pode ser aprendido e
assimilado.
A escola espiritual cabalística
tem como objetivo, elevar os padrões conscienciais dos neófitos transcendo os
níveis pessoais da realidade para os níveis transpessoais, ou seja os níveis de
transcendência: Chaiá e Iechidá, que equivalem ao quarto e quinto nível do Ser.
Todo o trabalho cabalístico
envolve a atenção do grupo em prol da elevação da consciência individual e
coletiva. Quando os cabalistas se reúnem para estudar, trabalhar ou meditar
produzem luz intensa e abrangente capaz de alcançar grande parte da rua, bairro
ou região em que a escola de encontra. Essa é a força da egrégora de uma escola
espiritual, a energia coletiva e consciente de seus adeptos.
Numa escola espiritual cabalística,
a meta é a subida pela sua Árvore da Vida (seu veículo humano) através dos
quatro mundos que são na verdade níveis de consciência a serem explorados. As
ferramentas utilizadas são: o estudo da Torá em nível de SOD – Segredo, a
anatomia divina da Árvore da Vida com as suas sefirot e caminhos, os 4 mundos,
os 5 níveis da alma, os 72 Sopros de Deus, as 50 Portas de Biná ou da
Inteligência, os escritos dos tzadik (santos justos cabalistas), o Midraxe, os
targuns, a Hagadá, o Talmude e a Bíblia Hebraica – Tanach = Torá (leis) +
Nevi’im (proféticos) + Ketuvim (escritos). Além disso, numa escola cabalística
espiritual autêntica existem diversas atividades práticas como a arte, a
música, a matemática com a geometria sagrada, trabalhos corporais, meditação e
o silêncio contemplativo. Tudo isso revivendo as escolas espirituais da
antiguidade como a dos Pitagóricos, Neoplatônicos, Hermetistas e demais escolas
de mistérios de diversas partes do mundo.
Enfim, o propósito de uma escola
espiritual séria não é com as formas, ritos e observâncias religiosas
convencionadas, mas sim, com o desenvolvimento e fortalecimento da essência,
pois as formas ficarão aqui, como disse Buda que todo composto é perecível, mas
a alma é imortal, e é a qualidade desse desenvolvimento vertical que irá
garantir a sua passagem para um padrão vibratório mais elevado e sutil.
Quem quiser estudar Cabala de
forma séria e comprometida sem “ismos”, dogmas e observâncias religiosas, entre
em contato comigo e conversaremos a respeito.
Paz Profunda.
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A pedidos de muitos estudantes de Cabala, teologia, misticismo e esoterismo, venho apresentar um breve e lúcido esboço sobre o que chamamos de anjos e demônios de acordo com a tradição cabalística de forma resumida e pontual.
As fantasias são muito mais
gratificantes que a realidade. Mas é com a realidade que devemos trabalhar, ou
seja, com os pés no chão, na Cabala de terra, na matéria, como disse o
cabalista Rav. Z’ev ben Shimon Halevi: “Devemos
lidar com a vida como ela realmente é, e manter a sua própria.”
Infelizmente o estudo sobre anjos
e demônios sempre esteve em pleno domínio das especulações folclóricas e
mitológicas, ficando assim cristalizadas no imaginário popular.
Anjos e demônios, segundo a
psicologia cabalística, nada mais são do que representações arquetípicas,
consistindo na experiência mais profunda da criatura humana (luz e sombra). O
ambiente cultural é que reveste essas figuras com roupagens ou aspectos
antropomórficos diferenciados, que no fim pertencem à mesma realidade
psicológica.
Para a Cabala Dogmática, anjos
não são seres, e sim, frequências vibratórias emanadas de Ayin Sof que ocupam
seus devidos espaços e funções dentro do esquema sefirótico da Árvore da Vida.
São as energias constitutivas nos mais variados níveis de energia que perpassam
os quatro mundos (níveis de consciência) no esquema da Árvore da Vida: Mundo de
Atsilút (Emanação), Mundo de Briá (Criação), Mundo de Ietsirá (Formação) e
Mundo de Assiá (Ação).
Podemos encontrar esses seres
fabulosos tanto na tradição rabínica quanto no Zohar, no Livro de Ratziel e na
literatura dos Hekaloth (Palácios). A angelologia descrita no Zohar deriva da
mais antiga mística judaica, a da Tradição Merkavah, que foi fortemente
influenciada pelas culturas babilônia e persa de caráter dualista, enquanto as
imagens de demônios encontram-se em geral associadas a questões de ordem moral,
comum dentro da tradição rabínica.
Dessas crenças fabulosas derivam
um arsenal de prescrições rituais mágicas, utilização de amuletos, talismãs e
combinações de letras do alfabeto hebraico, quer para invocação das energias
angélicas, como para conjurar as influências “demoníacas” que constituem todo o
processo ritual da cabala popular, que sendo analisada de forma psicológica só
satisfazem e reforçam o egocentrismo e o escapismo de si mesmo, como dizia
Jung: “As pessoas farão de tudo, chegando
aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se
torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a
escuridão.” Ou ainda S. Freud, que disse que as pessoas não querem
amadurecer porque requer responsabilidade, então se escondem atrás do mundo de
fantasias pueris.
Essas realidades psicológicas
habitam dentro de todos nós, porque nos encontramos dentro da realidade do
tempo e espaço, ou seja, na realidade dual, luz e sombra devem ser
reconciliadas, isso é o que ensina a Cabala.
Paz Profunda.
KADU SANTORO – Teólogo graduado pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro (FABAT-RJ), Escritor, Pesquisador das Ciências da Religião com ênfase em Mística Judaica, Gnosticismo e Religiões Comparadas, Esoterista, Preletor em diversos cursos de Cabala, Teologia Espiritualidade e Meditação, Terapeuta Holístico e Consultor em Espiritualidade.
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É um hábito muito comum entre nós, falarmos a cerca da certeza,
temos certeza disso, daquilo, etc. Mas se pararmos para pensar, em que consiste
a certeza de ou em alguma coisa? A palavra certeza vem do latim certanus, de certus, que significa algo seguro, garantido, determinado, uma
variante de cernere, que tem como
sentido distinguir, decidir, peneirar, e ainda na filosofia de René Descartes,
certeza consiste no critério para a verdade.
A partir desse último, a certeza como critério para a
verdade, surge outra problemática filosófica: em que consiste a verdade?
Segundo os cabalistas, a verdade não corresponde a um alvo ou meta a ser
atingido, e sim em todo o processo fenomenológico e metafísico dentro da
Criação. Em outras palavras, a verdade É, e ponto final, como respondeu o
Eterno a Moisés, EU SOU QUEM SOU.
A partir desse raciocínio, se a verdade corresponde a todo o
processo, como podemos dizer que temos certeza de algo a partir da nossa
limitada lógica temporal racional humana? Deus é o Criador (atemporal), e nós,
as criaturas (temporais) que estão contidas na totalidade. Com isso, quando falamos
que temos certeza de/em algo, não é certeza, e sim, alguma possibilidade ou
ideia, pois como diz a Cabala, não enxergamos a figura completa. E outra coisa,
a partir de quem, podemos ter certeza de alguma coisa se somos condicionados
pelo ego e por uma pluralidade de “eus”?
Quando nos abrimos ao Criador, apendendo a receber a luz
divina através das intuições e insights que falam ao nosso coração, então poderemos
experimentar a certeza absoluta através da experiência direta, sem qualquer
tipo de interferência racional ou cognitiva, pois a verdade não é uma questão a
ser resolvida, e sim, um mistério a ser vivido.
A certeza absoluta não tem nada haver com a fé, pois a fé é
racional e baseada na esperança e na crença, enquanto a certeza acontece por si
própria fora da dimensão da espera e da crença, consiste em experiência pura e
direta, como disse Jung: “eu não preciso
acreditar em Deus, Ele existe.” A fé pode ser cega, mas a certeza absoluta
jamais.
O maior segredo que a Cabala nos ensina, é que a totalidade
encontra-se dentro de todos nós, logo, quando aprendermos a acessar essa
dimensão vivenciando essa experiência de abertura e transcendência dentro de
nós, vamos desfrutar da certeza absoluta.
Na Cabala, em especial dentro da tabela dos 72 Sopros de
Deus, encontramos no 46º Sopro, a expressão ARI que tem como atributo a certeza
absoluta, e observe qual o resultado de sua guematria: Ayin=70 + Resh=200 +
Yud=10 = 280 = 2 + 8 = 10 = Malchut, uma totalidade, e ainda, ARI como 46º Sopro, é 4 + 6 = 10 novamente. 10 é
1, o princípio e o fim. Criador e criatura em total comunhão de imanência e
transcendência. De agora em diante, ao olhar para o trigrama da certeza
absoluta - ARI, você saberá exatamente o que ela representa. Sair do nível da
crença e da fé para o nível da experiência direta com a fonte primordial.
Paz Profunda.
KADU SANTORO – Teólogo graduado pela Faculdade Batista do Rio de
Janeiro (FABAT-RJ), Escritor, Pesquisador das Ciências da Religião com ênfase
em Mística Judaica, Gnosticismo e Religiões Comparadas, Esoterista, Preletor em
diversos cursos de Cabala, Teologia Espiritualidade e Meditação, Terapeuta
Holístico e Consultor em Espiritualidade.
Contatos para compras de livros, cursos, palestras,
congressos, seminários e workshops: Zap (21) 97252-7014, e-mail: conexaoqabbalah@gmail.com, site: www.conexaoqabbalah.weebly.com.
As letras iniciais das palavras hebraicas para “começo, meio e fim”, Rosh (Resh + Alef + Shin), Tor (Tav + Vav + Resh ) e Sof (Samech + Vav + Pei Final) soletram a palavra Seter (Samech + Tav + Resh) que significa “mistério”.
Quando analisamos a guematria das
três palavras: Rosh-começo: 200 + 1 + 300 = 501 = 5 + 1 = 6 (Tiféret); Tor-meio:
400 + 6 + 200 = 606 = 6 + 6 = 12 = 1 + 2 = 3 (Biná); Sof-fim: 60 + 6 + 800 =
866 = 8 + 6 + 6 = 20 + 2 (Chochmá), obtemos a seguinte compreensão: O começo da
grande obra de unificação se dá quando chegarmos em Tiféret (Beleza), nos
tornando Justos (Tzadik), pois sabemos estabelecer a justiça (Guevurá) com
misericórdia (Chéssed), equanimidade. Em seguida, o meio do processo consiste no
entendimento (Biná) sobre as Leis do Universo (50 Portas da Inteligência), e em
seguida chegamos no final da jornada que corresponde a tomada de consciência da
Sabedoria Divina (Chochmá), e assim, somos absorvidos em Kéter (Coroa). Essa é
a síntese de todo o “mistério” da jornada do cabalista.
No poema épico Hindu do Baghavad
Gita, o guerreiro Arjuna interroga Krishna sobre o seu significado (de Krishna
– O Iluminado). Então Krishna responde dizendo: “de todas as criações, EU
SOU o início e também o fim e também o meio...”
Enquanto São Tomás de Aquino
defende a ideia de que a meta é o alvo a ser atingido, São Boaventura diz que a
meta é todo o processo, englobando princípio, meio e fim.
“Respondeu Jesus: “Eu sou o
caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.” João
14.6. É caminhando (subida pela Árvore da Vida) que se atinge a verdade (Biná e
Chochmá – Entendimento e Sabedoria Divina), que produz a Realização Suprema em
Kéter – Coroa. Ninguém vai a Kéter (Pai), a não ser por Tiféret (Filho). Caminho
= início em Malchut – Reino denso, Verdade = em todo o processo de subida na
Árvore da Vida até Tiféret – Beleza – Iluminação, e por fim, a vida eterna em
Kéter.
Princípio, meio e fim são Um.
Paz Profunda.
KADU SANTORO – Teólogo graduado pela Faculdade Batista do Rio de
Janeiro (FABAT-RJ), Escritor, Pesquisador das Ciências da Religião com ênfase
em Mística Judaica, Gnosticismo e Religiões Comparadas, Esoterista, Preletor em
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A palavra em hebraico para liberdade é cheirut e seu valor guemátrico é 614: Chet = 8 + Resh = 200 + Vav = 6 + Tav = 400 = 614 = 1 + 613, ou seja, todo o número hebraico corresponde ao seu valor mais um, por exemplo, quando dizemos que o alfabeto hebraico possui 22 letras, isso corresponde a 21 + 1 = 22. Isso acontece pelo fato de que Um – Echad é indivisível e dele tudo provém. É por essa mesma razão que a primeira letra da Torá é Bet, a primeira letra da palavra bereshit. Ainda dentro da guematria cabalística, podemos compreender que a liberdade só pode ser alcançada através da Sabedoria – Chochmá: 614 = 6 + 1 + 4 = 11 = 1 + 1 = 2 Chochmá.
Voltando à liberdade - cheirut,
cujo valor guemátrico é 613 + 1, significa que a liberdade surge para aquele Um
(1) que cumpre a Lei e suas Mitzvot (613 = 248 positivas + 365 = negativas) com
disciplina, amor, dedicação e consciência. No judaísmo religioso isso é
observado de forma literal, já na Cabala, o que importa é apenas a tomada de
consciência de sua origem divina e estar de acordo com as leis cósmicas.
O homem liberto é aquele que é
circuncidado em seu coração; o homem capaz de elevar sua consciência aos níveis
de Neshamah; o homem potencialmente apto a revestir-se da consciência
messiânica, da Glória de Deus (Hod). É por essa razão que a Torá se inicia com
a letra Bet e termina em seu último livro, Deuteronômio com a letra lamed na palavra
Israel. Cabalisticamente falando, aquele que se dedica à Torá do início (Bet)
ao fim (lamed) terá percorrido o caminho do coração, ou seja, a letra lamed +
Bet = a palavra Lev = Coração. Assim diz o salmista: “De todo o coração te
busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos. Guardo no coração as tuas
palavras, para não pecar contra ti.” Salmos 119.10-11
A liberdade só pode ser alcançada
com a sabedoria do coração – “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o
Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar,
para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os
seus mandamentos.” Deuteronômio 8.2
A interpretação cabalística dessa
passagem consiste na jornada do ser humano rumo a si mesmo, percorrendo o
deserto que se encontra entre a mente e o coração; os quarenta anos segundo o
Talmude significa a idade da razão, cujo todo ser humano nessa fase da vida já
teria passado por várias provas e perdas, assim como, quarenta consiste no
número 4, o Tetragramaton Sagrado, o nome inefável de YHWH, os quatro mundos ou
níveis da consciência alcançados, ou ainda, o período de maturação alquímica
capaz de produzir o quinto elemento, o ouro nobre dos alquimistas, que consiste
num coração valoroso. A palavra humilhar é uma péssima tradução, segundo a
Cabala, podemos entender como colocar o ego em seu devido lugar, como servo, e
não como senhor de nossas vidas.
Para encerrar, a liberdade também
só se conquista através do amor, como diz o apóstolo cabalista Paulo de Tarso: “Porque
vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar
ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros pelo amor.” Gálatas
5.13
Paz Profunda.
KADU SANTORO – Teólogo graduado pela Faculdade Batista do Rio de
Janeiro (FABAT-RJ), Escritor, Pesquisador das Ciências da Religião com ênfase
em Mística Judaica, Gnosticismo e Religiões Comparadas, Esoterista, Preletor em
diversos cursos de Cabala, Teologia Espiritualidade e Meditação, Terapeuta
Holístico e Consultor em Espiritualidade.
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Por Kadu Santoro
Na narrativa de Gênesis 2.10-14,
encontramos pela primeira vez na Torá, dentro do relato da criação a palavra “nome”
– shem, surgindo em um contexto fluvial, nomeando um rio que desagua em
quatro afluentes, lembrando que o elemento água dentro da Cabala está
diretamente associado ao espírito por ser um elemento mais sutil e menos denso
que a matéria como a conhecemos.
O nome Éden tem sua origem no acadiano
edinnu, que provém da palavra suméria edin, que significa
“planície” ou “estepe”, que se encontra relacionada a uma palavra aramaica que
significa “frutífera” ou “bem regada”. Ainda tem alguns exegetas (Bíblia de
Douay-Rheims) que associam esse nome com uma palavra hebraica que significa
“prazer”, ficando o texto da seguinte maneira: “e o Senhor Deus havia plantado
um paraíso de prazer”, ao invés de “um jardim no Éden.” Assim também foi
chamado o enigmático trípico de Hieronymus Bosch – O Jardim das Delícias” –
1510.
Observe bem que a narrativa bíblica
faz uma distinção entre o Jardim e o Éden (Gan Éden – Paraíso - Nd( Ng), uma vez que o rio sai do Éden para irrigar o Jardim. Os
afluentes são chamados de “cabeças” – rashim. A guematria cabalística da
palavra Éden é 9 – ( Ayin = 70 + Dalet = 4 + Num Final = 700 = 774 = 18 = 9 )
Iessód, o Fundamento, o arquétipo da vagina, por onde nascemos vindo das águas,
ou seja, o Éden corresponde a origem da vida em Malchut.
“E um rio saía do Éden, para regar o
jardim; e dali se espalhava e convertia-se em quatro cabeceiras. O nome de um
(shem ha echad) (é) Pishón, o que rodeia toda a terra de Chavilá, que ali se
acha o ouro. E o ouro daquela terra é bom: ali se acha o cristal e a pedra de
ônix. E o nome do segundo rio (é) Guichón, o que rodeia toda a terra de Cush
[Etiópia]. E o nome do terceiro rio (é) Chidékel [Tigre], o que corre ao
Oriente da Assíria [Ashur]. E o quarto rio é Perat [Eufrates].” Gênesis
2.10-14 – Versão Torá Sêfer.
Agora vamos analisar cabalisticamente
o que representa esses quatro afluentes que procedem do Éden. O primeiro rio se
chama PISHÓN - Nw#yp, e sua
guematria é a seguinte: Pei = 80 + Yud = 10 + Shin = 300 + Vav = 6 + Num Final
= 700 = 1096 = 16 = 7. O segundo rio se chama GUICHÓN - Nwxyg, e a sua guematria: Guimel = 3 + Yud
= 10 + Chet = 8 + Vav = 6 + Num Final = 700 = 727 = 16 = 7. O terceiro rio se
chama CHIDÉKEL - lqdx (Tigre) e
sua guematria é: Chet = 8 + Dalet = 4 + Kuf = 100 + Lamed = 30 = 142 = 7. O
quarto e último é PERAT - trp (Eufrates)
e sua guematria é: Pei = 80 + Resh = 200 + Tav = 400 = 680 = 14 = 5.
Observe que o primeiro rio é chamado
de “rio um” (naar há echad) e não “primeiro rio” (naar ha rishone), estando
assim dentro da lógica de raciocínio do hebraico, talvez em função para nos
dizer que, mesmo que haja uma “hierarquia” entre esses quatro rios, o primeiro
não seria necessariamente o primeiro a ser mencionado, assim como a letra Álef,
a primeira do alfabeto hebraico, que é sagrada e por isso dá lugar a letra Bet
para início do alfabeto, e por isso o alfabeto é chamado Álef-Bet.
Um segredo revelador!!! Repare que no
enunciado dos quatro rios, somente os três primeiros tem a palavra “nome” – shem.
O quarto rio, apesar de ter um nome, não é precedido pela expressão “o nome do
quarto rio...”, porque???
Temos várias pistas para essa
resposta. Perceba que a guematria dos três primeiros rios dá 21, ou seja, cada
um dos três rios dá 7 – Nêtsarch – Vitória. A guematria do quarto rio dá 5 –
Guevurá – Justiça. Temos três rios dando 7 cada um, e um rio dando 5. Segundo
os cabalistas, eles veem nesses quatro rios uma alusão/alegoria aos quatro
níveis de interpretação das Sagradas Escrituras, o PARDES, que significa
“pomar” ou “paraíso”: PeSHaT = Sentido simples, literal; ReMeTZ = Insinuação,
alusão, alegórico; DeRaSH = interpretação e SoD = Sentido secreto, oculto,
místico.
Logo, perceba que os três primeiros
níveis (rios) são iguais no sentido da abordagem racional, e o quarto nível, o
SOD, é o nível transcendente, espiritual e secreto, o nível em que a Cabala
opera. Podemos fazer essa associação no Novo Testamento, entre os quatro
Evangelhos, onde os três primeiros: Mateus, Marcos e Lucas, chamados de
sinóticos (semelhantes e históricos), enquanto o quarto Evangelho, o de João, o
Evangelho mais elevado e espiritual, aquele que conduz o leitor aos mistérios
do Apocalipse, também chamado esotericamente de a Chave de David, que é o nível
de SOD, segredo.
Outro segredo importante, é que a soma
da guematria cabalística dos quatro rios, dá exatamente o número do Nome
Sagrado – o Tetragrammaton, 26, ou seja, 7 + 7 + 7 + 5 = 26. O resultado
guemátrico dos quatro rios é o valor do Nome Sagrado – hwhy.
Ainda temos uma análise profunda na
visão hindu, onde essas quatro rios, representam as quatro correntes de energia
vital na coluna, segundo a teoria dos chakras: Sushuma, Vajra, Chitra e
Brahmanadi, e ainda, os Sufis, a Tradição Esotérica do Islã, ensina que os
quatro rios do Paraíso referem-se aos quatro canais nervosos sutis no corpo
humano, que o praticante é
instruído a ativá-los de diversas maneiras, entre elas, através das
danças/movimentos sagrados dos Dervixes.
Para encerrar, a Água da Vida estudada
acima, consiste em uma corrente de energia fluídica real que percorre pelo
corpo humano e pelo cérebro nos estados superiores de consciência. Essa Água da
Vida possui outros nomes em outras culturas como Ambrosia, Amrita, Soma e até
de Néctar da Imortalidade (Epopeia de Gilgamesh). A água é a metáfora
convencional para o fluxo das correntes de energia vital, simplesmente porque “a
verdadeira sensação de transmissão de energia é como água corrente, como uma
força que percorre o corpo do agente de cura.” Rosalyn Bruyere, Wheels of
Light.
Já que sabemos que água está associado
com espírito, consciência, também podemos associar esses quatro rios aos quatro
mundos ou níveis conscienciais da Árvore da Vida: Atsilut – Mundo da Emanação;
Briá – Mundo da Criação; Ietsirá – Mundo da Formação e Assiá – Mundo da Ação.
Paz Profunda.
A letra Lamed - למד ocupa uma posição particular no alfabeto hebraico. Ela é a 12ª letra, e em sua grafia, é a maior letra do alfabeto. Ela significa estudar ou ensinar, inclusive a expressão Talmud, consiste em uma declinação da letra Lamed. Os cabalistas desenvolveram um acrônimo constituído por três letras do alfabeto hebraico: Lamed, Mem e Dalet, formando a expressão “Lev mevin Da’at” – “O coração compreende o conhecimento.”
Observe que aquele que compreende o conhecimento com coração – Lev, é um sábio – Chachám - חָכָם, que é exatamente o sentido da resultante da gematria da palavra Lamed, que corresponde à segunda sefira da árvore da Vida, Chochmá – Sabedoria, Lamed = 30 + Mem = 40 + Dalet = 4 = 74 = 7 + 4 = 11 = 1 + 1 = 2 = Chochmá – Sabedoria.
Observe que a gematria da palavra Chachám – Sábio, corresponde à sétima sefira da Árvore da Vida – Nêtzach - Vitória, ou seja o número 7 sagrado, logo podemos dizer que um sábio é um vitorioso, aquele que conhece as coisas relacionadas à espiritualidade – 3, e as relacionadas com a materialidade – 4, Chet = 8 + Caf = 20 + Mem Sofit = 600 = 8 + 20 + 600 = 628 = 6 + 2 + 8 = 16 = 1 + 6 = 7.
É fundamental saber que tanto na Torá quanto em toda a Bíblia, não existe a palavra cérebro, só se fala do coração, considerando que é a partir dele que o homem pensa. A esse respeito a Torá dos diz o seguinte: “Deus não vos tem dado um coração para conhecer.” Deuteronômio 29.3, nos ensinando que dentro do judaísmo, mais precisamente na psicologia esotérica da Cabala, o conhecimento passa através do coração.
Assim também, na prece cotidiana, o shemá, encontra-se dito o seguinte: “Estas palavras estarão em teu coração.” Aqui isto significa: “tu deves compreendê-las.” A palavra “coração” possui um sentido muito amplo nas Escrituras Sagradas. Podendo definí-la como a parte “cognitiva” do homem, tanto no nível intelectual quanto no nível emocional – “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” Salmos 119.11 Depois podemos diferenciar o cérebro e o coração.
Uma vez estabelecida essa diferenciação, as pessoas se interrogam frequentemente sobre a “distância” que os separa – “A distância mais longa a ser percorrida é da mente ao coração.” Thomas Merton.
A maior questão na vida permanece: quais são as relações entre o coração e a razão se as vezes eles nem sequer se falam? A resposta parece simples, porém, colocá-la em prática consiste no maior desafio humano: O centro intelectual corresponde ao nível da alma chamado Neshamah, enquanto o centro emocional, ao nível da alma chamado Rúach, e ainda temos o terceiro nível que é chamado Néfesh que corresponde aos instintos e as atividades motoras. Logo, o objetivo do ser humano a partir do seu tikkun - conserto a ser realizado, consiste justamente no alinhamento desses três níveis da alma: Néfesh (ações), Rúach (sentimentos) e Neshamah (pensamentos), a restauração do triângulo equilátero perfeito, símbolo muito usado pelos esotéricos.
Outra observação importante dentro do tema, é a questão da meditação. É de fundamental importância para os estudantes de Cabala, discernir o que é meditar segundo a tradição judaica das demais tradições. A palavra hebraica para meditação é Hagah, que possui o sentido de; ou seja, uma referência à prática que muitos têm, durante a meditação, falar sozinho ou em baixa voz, refletindo sobre uma determinada questão, alguns comparam ao ato de ruminar dos bois, dessa forma devemos ficar mastigando as palavras e refletindo sobre elas – “Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” Salmos 1.2. Outras práticas meditativas voltadas para a contemplação e recolhimento interior, foram enxertadas na Cabala tardiamente na transição da Idade Média para a Idade Moderna, e com certeza tiveram influências de tradições orientais e dos Padres do Deserto.
Um exercício simples para despertar os centros constitutivos (os três níveis da alma), consiste ao acordar pela manhã, ainda sentado na cama, inspirando e expirando suavemente, colocar uma das mãos em forma de concha levemente sobre o topo da cabeça, em cima do chakra coronário e dizer: EU QUERO SER; em seguida, abaixando a mão, levar para o peito e colocar novamente em forma de concha na posição do chakra cardíaco e dizer: EU POSSO SER; e por último, baixando mais as mãos, colocá-la na região do chakra umbilical dizendo: EU SOU. Fazer isso por três vezes já é o suficiente.
Em síntese, nós não podemos sentir nenhuma emoção sem discernimento prévio. Não é possível amar se não há um “objeto” a ser amado, assim como eu não posso odiar sem ter o “objeto” do meu ódio. O cérebro indica todos esses objetivos. O coração é, decerto, capaz de fabricar emoções, mas antes disso, é preciso conceber as coisas. Antes tenho que saber do que estou falando. Depois, decidir se sou contra ou a favor. Uma vez estabelecido que “há alguma coisa”, a palavra é do coração.
Segundo os filósofos, não existe conhecimento “objetivo”, até mesmo na física se encontra esse pressuposto. Quer dizer, mais precisamente, que o cérebro transmite um dado ao coração, este julga se o dado lhe convém ou não, porém, esse julgamento se opera segundo critérios subjetivos, ou seja, o coração possui sua própria lógica, conforme disse Pascal, que “o coração possui razões que a própria razão desconhece.”
Assim, podemos dizer que o cérebro possui um conhecimento “global”, e que depois, o coração distingue o que é bom do que é mal, ou seja, entre o que lhe convém e o que lhe agrada, conforme disse o apóstolo cabalista Paulo: “Tudo me é lícito, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não deixarei que nada domine.” I Coríntios 6.12 Esse é o princípio da sabedoria e do discernimento o qual devemos buscar despertar mais a cada dia.
A função do cérebro é pensar as coisas com objetividade. O coração busca compreender (faculdade de Biná – Compreensão e Entendimento), de modo subjetivo, de que modo isto é importante para mim. Aliás, o verbo “conhecer”, além destes conceitos evocados, possui um significado muito preciso. Toda vez que se encontra o verbo da’at, que designa diversos conhecimentos, ele expressa sempre o fato de que isto me “concerne ou me diz respeito.”
Paz Profunda.
KADU SANTORO – Teólogo graduado pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro (FABAT-RJ), Escritor, Pesquisador das Ciências da Religião com ênfase em Mística Judaica, Gnosticismo e Religiões Comparadas, Esoterista, Preletor em diversos cursos de Cabala, Teologia Espiritualidade e Meditação, Terapeuta Holístico e Consultor em Espiritualidade.