quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

ANGELOLOGIA E DEMONOLOGIA CABALISTAS

A pedidos de muitos estudantes de Cabala, teologia, misticismo e esoterismo, venho apresentar um breve e lúcido esboço sobre o que chamamos de anjos e demônios de acordo com a tradição cabalística de forma resumida e pontual.

As fantasias são muito mais gratificantes que a realidade. Mas é com a realidade que devemos trabalhar, ou seja, com os pés no chão, na Cabala de terra, na matéria, como disse o cabalista Rav. Z’ev ben Shimon Halevi: “Devemos lidar com a vida como ela realmente é, e manter a sua própria.”

Infelizmente o estudo sobre anjos e demônios sempre esteve em pleno domínio das especulações folclóricas e mitológicas, ficando assim cristalizadas no imaginário popular.

Anjos e demônios, segundo a psicologia cabalística, nada mais são do que representações arquetípicas, consistindo na experiência mais profunda da criatura humana (luz e sombra). O ambiente cultural é que reveste essas figuras com roupagens ou aspectos antropomórficos diferenciados, que no fim pertencem à mesma realidade psicológica.

Para a Cabala Dogmática, anjos não são seres, e sim, frequências vibratórias emanadas de Ayin Sof que ocupam seus devidos espaços e funções dentro do esquema sefirótico da Árvore da Vida. São as energias constitutivas nos mais variados níveis de energia que perpassam os quatro mundos (níveis de consciência) no esquema da Árvore da Vida: Mundo de Atsilút (Emanação), Mundo de Briá (Criação), Mundo de Ietsirá (Formação) e Mundo de Assiá (Ação).

Podemos encontrar esses seres fabulosos tanto na tradição rabínica quanto no Zohar, no Livro de Ratziel e na literatura dos Hekaloth (Palácios). A angelologia descrita no Zohar deriva da mais antiga mística judaica, a da Tradição Merkavah, que foi fortemente influenciada pelas culturas babilônia e persa de caráter dualista, enquanto as imagens de demônios encontram-se em geral associadas a questões de ordem moral, comum dentro da tradição rabínica.

Dessas crenças fabulosas derivam um arsenal de prescrições rituais mágicas, utilização de amuletos, talismãs e combinações de letras do alfabeto hebraico, quer para invocação das energias angélicas, como para conjurar as influências “demoníacas” que constituem todo o processo ritual da cabala popular, que sendo analisada de forma psicológica só satisfazem e reforçam o egocentrismo e o escapismo de si mesmo, como dizia Jung: “As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.” Ou ainda S. Freud, que disse que as pessoas não querem amadurecer porque requer responsabilidade, então se escondem atrás do mundo de fantasias pueris.

Essas realidades psicológicas habitam dentro de todos nós, porque nos encontramos dentro da realidade do tempo e espaço, ou seja, na realidade dual, luz e sombra devem ser reconciliadas, isso é o que ensina a Cabala.

 Na próxima postagem vou apresentar um esquema com a anatomia das potências angélicas diretamente relacionadas com o processo da Criação, da nossa realidade existencial e psicológica à luz da tradição cabalística erudita.

Paz Profunda.

KADU SANTORO – Teólogo graduado pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro (FABAT-RJ), Escritor, Pesquisador das Ciências da Religião com ênfase em Mística Judaica, Gnosticismo e Religiões Comparadas, Esoterista, Preletor em diversos cursos de Cabala, Teologia Espiritualidade e Meditação, Terapeuta Holístico e Consultor em Espiritualidade.

Contatos para compras de livros, cursos, palestras, congressos, seminários e workshops: Zap (21) 97252-7014, e-mail: conexaoqabbalah@gmail.com, site: www.conexaoqabbalah.weebly.com. 

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