segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Uma reflexão sobre a Santa Ceia e o colapso econômico global


Por Kadu Santoro



Estamos às portas de 2012, muito se fala sobre profecias apocalípticas, maus presságios, mudanças climáticas e principalmente no colapso econômico global. A pouco tempo atrás a bola da vez era a queda do dólar e da bolsa, seguida da crise econômica norte americana, depois veio a crise na Grécia e agora na Europa toda, enquanto, do outro lado do planeta se destaca a grande potência chinesa em franco e expansivo crescimento econômico e industrial. Pois é, mas diante destes e outros boatos, procurei fazer algumas associações bíblicas com o mais preocupante deles, o colapso econômico global, que na verdade é uma grande farsa mundial, forjada por uma pequena e fechada elite global que tem como principais nomes para serem estudados em outra oportunidade, os Illuminatis e o Clube de Bilderberg.

Durante esses cinco últimos anos essa turma tem se empenhado para reduzir o valor do dólar (USD) frente ao Euro. Alguns anos atrás, alguns banqueiros receberam subornos altíssimos para vender suas ações em dólar e comprar muitos Euros. Sabemos que um dos maiores indicadores da situação econômica de um país é o índice de desemprego. Em fevereiro de 2007, nos EUA, a taxa de desemprego chegou a 4,3%, enquanto no Japão, chegava a 4,0%. De vinte e sete países da União Européia, vinte dois tinham taxa de desemprego acima de 5,0%. Diante desse quadro, percebemos que o valor do Euro foi sendo inflacionado artificialmente como parte do plano global para desvalorização do dólar, pois a quebra do Federal Reserve (FED) e do dólar, iria afetar bruscamente todas as nações e dar aos senhores do mundo a desculpa esfarrapada para imporem sua ditadura baseada no governo mundial único, ou seja, estabelecer a Nova Ordem Mundial.

Os “donos” do Federal Reserve, diga-se de passagem, são banqueiros, também tem seus representantes no conselho Illuminati dos treze. Esses tem trabalhado secretamente na Europa, nos EUA, na China para quebrarem a economia. O Federal Reserve ajudou a China a entrar nos programas de trading e assim poder articular melhor as jogadas financeiras, não existindo nenhum conflito entre o FED e a China; Na verdade eles estão mais juntos do que imaginamos para estabelecer o complô mundial, visando afundar a economia mundial e instaurar o regime ditatorial do governo único confederado da terra, criando uma moeda única.

Vocês devem estar se perguntando, o que tudo isso tem haver com a Bíblia? Falei no início sobre a elite global, mas ainda não falei quem é que faz parte dela, ou melhor, quem são os que estão no controle dela. A elite global, é controlada por treze famílias, elas controlam toda a riqueza mundial, além disso, exercem influências diretas sobre a vida de sete bilhões de pessoas, decidindo quando e como fazer guerras, criar desordens e crises nos países, fomentar o terrorismo de todas as espécies, espalhar pandemias, etc...

Agora que já temos uma idéia de como funciona o esquema sujo, vamos fazer algumas reflexões em cima da Bíblia. Quando lemos o episódio em que acontece a Santa Ceia que se encontra no Evangelho de Lucas (Lc.22.19-23), percebemos que são treze pessoas à mesa - Jesus e os doze apóstolos, que na verdade simboliza naquele momento a aliança realizada entre Jesus Cristo com as doze tribos de Israel. Assim também, como no Clube de Bilderberg, se assentam os representantes das treze famílias da elite global (podendo ser um deles o anticristo), buscando estabelecer a Nova Ordem Mundial. No versículo 25 do mesmo capítulo (Lc.22) do Evangelho de Lucas, Jesus diz aos discípulos: “Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores.” Realmente, se repararmos bem nos dias de hoje, esses grandes líderes globais e estadistas são homens que se apresentam de forma carismática, sempre bem vestidos, sorridentes e atenciosos, mas na verdade, seus corações estão em outra direção. São os mesmos que beijam as cabeças de criancinhas famintas, apertam as mãos de gente simples do povo em épocas de eleições, e ao mesmo tempo fomentam a fome, a doença e a guerra entre as nações. Eles que criam um regime de controle e poder, escravizando e explorando os povos.

A Santa Ceia de Jesus é um convite a todos, indiferente de credo, religião, raça, identidade nacional, etc. É um ato de amor e inclusão social nos dias de hoje. Jesus não exclui ninguém desse banquete de comunhão e aliança, pelo contrário, ele oferece a plena liberdade de escolha de querer se assentar a mesa ou não. O alimento servido a mesa é fruto do trabalho justo e honesto de todos, pois no Reino de Deus, a justiça e a igualdade, já estão intrínsecas com a consciência solidária e humanística. A comunhão é o verdadeiro ato de partilha e participação.

Na mesa da Santa Ceia só não há lugar para os fariseus modernos e popstars da mídia gospel, pois estes seriam hipócritas demais em assentar-se com os pobres e necessitados (que para eles se encontram nessas condições por causa de pecados, maldições e encostos), porque às custas do suado dinheiro deste povo sofrido, só frequentam as grandes churrascarias e cozinhas internacionais de hotéis cinco estrelas, que tem como proprietários alguns dos Iluminatis.

A Santa Ceia é para todos, independente de discipulado, conjuntos de regras, hábitos e costumes, dogmas e estatutos de igrejas. Ele mesmo disse que é o Pão da Vida (Jo.6.35), que aquele que se assenta com ele jamais terá fome. A nossa missão é fazer com que esse pão vivo que desce do céu (Jo.6.33) seja multiplicado como o maná do deserto e distribuído de forma justa para todos sem discriminações alguma.

Chegou a hora de sentarmos a mesa e nos unirmos em verdadeira comunhão para mudar esse quadro conspiratório e manipulador, buscando alertar ao máximo as pessoas sobre tudo o que está acontecendo nos bastidores da política econômica internacional, deixar um pouco de lado as atividades igrejistas e praticar as humanísticas, cumprir de fato o que Jesus disse: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.” (Lc.4.18-19) e não ficarmos como os cachorrinhos da passagem da mulher siro-fenícia (Mc.7.24-30), comendo as migalhas que sobram e caem da mesa dos poderosos senhores do mundo, da elite global. É preciso fazer como no Apocalipse de João, resistir e denunciar toda a ideologia imperialista moderna.

domingo, 25 de dezembro de 2011

O verdadeiro louvor


Por Paulo Grego

Hoje em dia existe uma grande quantidade de pseudo-músicos/cantores cristãos que acreditam serem "levitas", onde inflam e alimentam seus egos pedindo aplausos que dizem ser para Jesus.

Jesus não quer aplausos, Ele quer corações, que alimentemos os pobres, cuidemos das viúvas em louvor do Seu nome. Quem dá aos pobres empresta a Deus, pois a fé sem obras é morta, e não belos discursos que são apenas palavras sem ações concretas, não são louvores ou melhores músicas cantadas e tocadas por pseudo-músicos/cantores que cantam amor, mas só o conhecem em estrofes e refrões, mantendo suas almas frias e distantes de seu próximo.

O Espírito Santo não suporta hipocrisia! Temos que dar suporte uns para com os outros, não podemos fazer acepção de pessoas, temos que perdoar e pedir perdão, pois isto é um grande favor que fazemos a nós mesmos.

Os sinais estão aí, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz as igrejas.(lembrando que igreja somos nós, eu e você). Se não quisermos ficar por aqui, temos que olhar para dentro de nós mesmos e detectarmos cuidadosamente as áreas de nossa vida que precisam de tratamento, caso contrário, não iremos subir para o encontro com o Cordeiro de Deus.


Deus abençoe a todos.

Paulo Grego é um cristão livre de dogmas, guitarrista da banda
de rock After Darkness, residente no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

As relações entre o texto bíblico sobre o anúncio da natividade aos pastores do campo com os manuscritos de Qumran.


Por Kadu Santoro

Quando os anjos apareceram aos pastores que viviam no campo, conforme o texto bíblico encontrado no Evangelho de Lucas (Lc.2.14), anunciando o nascimento do messias salvador – Jesus Cristo, na cidade de Belém, encontramos neste texto alguns questionamentos exegéticos polêmicos. As últimas palavras do anjo dizendo: “Glória a Deus nas alturas...” (Lc.2.14a), por muito tempo foi alvo de questionamentos e discussões entre as denominações cristãs. A pergunta que não se cala é a seguinte, será que após a primeira parte deste versículo, os anjos quiseram dizer: “e na terra paz às pessoas de boa-vontade” (conforme a Vulgata Latina), ou seria: “e na terra paz e às pessoas harmonia” (versão de Martinho Lutero através de sua interpretação: “...a boa vontade de Deus ou o agrado..., que ele, por intermédio de Jesus Cristo, tem em relação às pessoas”, mas também: “o coração pacífico, que tudo suporta e aceita”), ou ainda: “e na terra paz às pessoas, de quem Deus se agrada” (aquelas segundo Deus escolhe e elege)?

Percebemos que essa passagem foi controvertida confessionalmente por muito tempo. Segundo alguns católicos, viam recompensada a boa vontade das pessoas e para a maioria dos protestantes, viam como a confirmação da soberania divina em eleger quem ele quer, independentemente de obras e méritos da pessoa. Devido a esse questionamento, forma-se outra pergunta fundamental: se tratava da vontade divina em relação às pessoas ou da boa e grata vontade dessas?

Graças a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, ou seja, os Textos de Qumran, foi possível tentar esclarecer essas questões a respeito do texto de Lucas, em relação a vontade eletiva de Deus.

Nos textos de Qumran encontra-se a seguinte expressão: “filhos do seu agrado/arbítrio”, como por exemplo nos hinos: “...a plenitude de sua misericórdia para com todos os filhos de seu agrado” (1 QH[1] 4.32-33), muito parecido em 11.9). Em 1 QS[2] 8.6, são mencionados os “eleitos de seu agrado”. O significado disto é: Deus escolheu livremente as pessoas através de sua própria e exclusiva resolução. Nós podemos nos orientar pelo arbítrio de Deus ou por aquilo que é do seu agrado. De todo o modo, o critério sempre é a sua vontade.

Podemos concluir que, o hino dos anjos em Lucas 2.14, diz da seguinte forma: “Glória a Deus nas alturas e na terra paz às pessoas que Deus escolheu segundo o seu agrado”. Resumindo, são aquelas pessoas, às quais Deus deseja presentear com sua salvação. São aquelas pessoas que o Evangelho consegue alcançar. De forma semelhante, conforme os textos de Qumran, Deus concede sua misericórdia às pessoas. Tudo passa pela soberania divina. Porém, se falamos de eleição, logo pressupomos que exista o contrário, os não eleitos. Podemos perceber que alguns textos de Qumran tem como característica o “dualismo” (possivelmente de influência Persa), uma divisão de pessoas entre aquelas que pertencem a Deus e as que pertencem ao outro lado, ou seja, chamados nos textos de Qumran como “Filhos das trevas” e “Crianças da luz”. Provavelmente seja por isso que Jesus fala aos seus discípulos em Mateus 18.1-5 que aquele que não vos converterdes e não vos tornardes como criança, de modo algum entrará no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus, ou quando ele diz que deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus (Mt.19.14).


Bibliografia:
BERGER, Klaus, Qumran e Jesus: uma verdade escondida? Klaus Berger; tradução Ivoni Richer Reimer. Petrópolis, RJ : Vozes, 1994.
Bíblia TEB versão de estudos, Tradução Ecumênica, Loyola, SP


[1] 1 QH – Rolo de Hinos, da caverna 1
[2] 1 QS – Regra da Seita, da caverna 1

Participação do colunista Kadu Santoro no programa Debates Culturais na Rádio livre


Programa Debates Culturais de 10 de dezembro de 2011

Participantes: Alessandro Lyra Braga (historiador), Maria da Conceição Cotta Baptista, mais conhecida como Conceição D’Lissá (psicóloga e candomblecista), Kadu Santoro (teólogo e professor criador do Jornal Despertar), Washington Reis (professor e articulista), Adem Ibrovic (pesquisador metafísico e criador do Projeto Neblina) e Antônio Pinheiro de Carvalho (ativista social e presidente do Conselho Comunitário de Segurança da Ilha do Governador).

Acima, em sentido horário: Kadu Santoro, Antônio Pinheiro de Carvalho, Washington Reis, Maria da Conceição Cotta Baptista e Adem Ibrovic.

Assuntos abordados: Iniciamos o programa conversando sobre as evidências técnicas da existência dos chamados fantasmas e outras manifestações sobrenaturais. Também conversamos sobre as diversas formas de discriminação, principalmente a econômica, a religiosa e a racial. Debatemos ainda sobre o conceito de decência, especialmente a decência moral e a decência política. Abordamos também a questão da fé e de sua mercantilização nos dias atuais. Também debatemos sobre a pornografia e como este “fenômeno de mídia” nos atinge na atualidade.

Queridos leitores,
foi um imenso prazer em participar dessa edição do programa Debates Culturais na Rádio Livre AM 1440 khz falando a respeito de preconceito e intolerância religiosa. Quem quiser ouvir esse programa na íntegra ou os demais que eu participei, é só acessar o site www.debatesculturais.com.br entrar na opção de áudio dos programas e escutar.

Abraços,

Kadu Santoro

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Invocando o nome de Deus em favor da vida


Por Kadu Santoro

Infelizmente, essa realidade é minoria nos dias hoje. O uso do nome de Deus se tornou algo fácil e popular, afinal de contas, bater palmas para Jesus gritando que ele é a solução para os problemas é muito cômodo. Muitos saem dizendo por aí que ele é a solução até para a morte, como se fosse uma fórmula mágica, mas ao mesmo tempo eu faço uma pergunta: Como Ele pode entrar com solução em nossas vidas, se nós que somos o fermento, ficamos na maioria das vezes fora da massa? A nossa relação com Deus deve ser conjunta, ele espera pela nossa participação e decisão de agir em nome dele, porém, fazendo o que ele fez e o que ele faria se estivesse aqui entre nós, caso contrário, estamos ignorando a importância do engajamento em ações que ajudam a transformar as estruturas do pecado e da morte.

Infelizmente, hoje em dia em reuniões de muitas igrejas, se pronuncia o nome de Deus em demasia, principalmente quando se fala em demônios e guerras espirituais. De tanto verem demônios e espíritos malignos em pessoas debilitadas física e emocionalmente, aflitas, desequilibradas, necessitadas e sem esperanças, acabam perdendo a sensibilidade de discernir o que é material do que é espiritual, e a capacidade de ver a realidade diabólica em que vivemos, cheia de injustiça, maldade, vingança, ganância, egoísmo e desrespeito à vida (Os.4.2). A religião quando só fica nas palavras e não contribui para a promoção de mudanças na vida da comunidade, está apenas usando o nome de Deus em vão.

Jesus enfrentou os mestres da sinagoga que exigiam do povo uma religião legalista e não se preocupavam com as angústias dos sofredores. “Que é mais fácil dizer: os teus pecados são perdoados, ou: levanta-te e anda?” (Mt.9.5). Palavras religiosas apenas não bastam, é preciso agir sim, em nome de Deus ajudando os caídos e prostrados a se levantarem e retornarem ao caminho. Deus atua inspirando a ação das pessoas que nele crêem e o invocam através do seu nome.

Jesus alerta aos que querem segui-lo, que é necessário passar pela porta estreita (Lc.13.24), porém não passará por ela os que simplesmente proclamaram discursos religiosos impressionando os fiéis com curas, milagres e exorcismos (Mt.7.22,23). O principal é, segundo a afirmação de Jesus: “Eu estava com fome e sede, nu, doente, preso... e tu me socorreste” (Mt.25.35-46).

Usar o nome de Deus em vão não passa de discurso ou sentimentalismo religioso, sem consequência prática na vida. Isso era exatamente o que Jesus censurava nas autoridades instituídas do seu povo (fariseus e saduceus): “Falam e não praticam” (Mt.23.3). O apóstolo Tiago também fala a respeito da hipocrisia (Tg.1.22,26,27), escrevendo sua carta às comunidades.

Deus tem nos alertado para que sejamos cada vez menos religiosos e mais humanos. A fé não deve produzir primeiramente, imagens, discursos, instituições, hierarquias... mas uma conduta voltada para o amor, a solidariedade e a justiça, pois: “O Reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” (ICor.4.20), poder de ação e transformação em prol da vida. O apóstolo Paulo também explica aos romanos, que o culto espiritual que é agradável a Deus, é o culto que não “espiritualiza” a fé, mas que a encarne na realidade (Rm.12.1,2). O apóstolo João diz o mesmo: “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia o seu irmão, é mentiroso; pois quem não o irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (IJo.4.20).

Que a nossa invocação do nome de Deus não seja em vão, mas esteja na boca dos pobres e necessitados que nos dirigimos para estendermos a mão e ajudá-los: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mc.11.9).

sábado, 26 de novembro de 2011

Os apócrifos e pseudo-epígrafes da Bíblia e suas descrições


APÓCRIFOS DO VELHO TESTAMENTO

Tobias – Livro que conta a história de um judeu reto da tribo de Naftali chamado Tobias enquanto vivia em Nínive, após a deportação das tribos do norte pela Assíria em 721 a.C.

Judite – Livro que conta a história de uma mulher corajosa e bela em sua maturidade, vestida para festa com todas as suas maravilhosas joias, acompanhada por uma fiel criada, que obtém sucesso em decapitar o general invasor Holofemes.

Sabedoria – Livro sapiencial, cujo autor clama ser Salomão. Muitos estudiosos atribuem sua autoria a algum judeu alexandrino, pois suas ideias são claramente gregas, mais especificamente se enquadram no pensamento helenístico alexandrino.

Eclesiástico – Sua autoria é atribuída a alguém chamado Jesus, filho de Sirach. As suposições para a sua data de escrita variam enormemente, indo de 247 a.C. a 132 a.C. O livro é formado por reflexões pessoais do autor e teria sido transcrito por seu neto.

Baruque – Livro é atribuído a Baruque, o escrivão de Jeremias, e foi pretensamente escrito na Babilônia. Traz confissões de pecados, clamor por misericórdia, uma exaltação à sabedoria, uma mensagem aos cativos, e uma carta pretensamente escrita por Jeremias, a qual o próprio Jerônimo, teólogo católico romano, chamou de pseudo-epígrafe (texto escrito por um autor que diz ser outra pessoa).

I Macabeus – Livro histórico que narra o período de aproximadamente um século após a conquista da Judeia pelos gregos sob o comando de Alexandre o Grande. Sem data ou autor definidos, nem no livro, nem em escritos antigos de outros autores. Provavelmente foi escrito entre os últimos anos do 2º século a.C. e antes de 63 a.C.

II Macabeus – Livro que narra a revolta dos judeus contra Antíoco e conclui com a derrota do general sírio Nicanor em 161 a.C. por Judas Macabeus. É uma sinopse composta por um autor desconhecido de um trabalho maior, normalmente atribuído a Jason de Cirene, do qual muito pouco se sabe, exceto pela inferência de que teria vivido em Israel, supõe-se que não tenha sido escrito antes de 124 a.C.

Adições a Daniel – Textos em grego, incluídos junto aos textos originais em hebraico. São os versos 24-90 do capítulo 3 (oração dos jovens na fornalha), e os capítulos 13 (relato de Suzana) e 14 (a farsa do dragão).

Adições a Ester – Textos em grego, incluídos junto aos textos originais em hebraico. Há adições aos capítulos 1, 3, 4, 5, 8, 9 e 10.

Livros Anagignoskomena:

Todos os livros que depois foram considerados como deuterocanônicos também fazem parte dos anagignoskomena. E além destes temos:

III Macabeus – O livro na verdade não tem nada a ver com os Macabeus ou com sua revolta contra o imperialismo grego, como acontece com I e II Macabeus. III Macabeus conta a história da perseguição dos judeus sob o reinado de Ptolomeu IV. Provavelmente o título do livro vem da similaridade de sua história com a história narrada em II Macabeus. Mas, seu conteúdo é claramente ficcional.

IV Macabeus – Este livro é na verdade uma homilia louvando a supremacia religiosidade sobre as paixões, e para tanto faz uso de muitos pensamentos de origem pagã. Também relata vários diálogos de mártires que diferem substancialmente dos mesmos diálogos encontrados em II Macabeus.

I Esdras – Sua autoria é desconhecida, e a data de escrita somente pode ser suposta em um período de tempo extremamente longo, algo como um período entre 300 a.C. e 100 d.C. Este livro em sua maior parte segue um paralelo da narrativa contida em Esdras, Neemias e no livro de II Crônicas, sendo que algumas seções são traduções diretas destes livros. O nome de I Esdras vem do fato de que o livro canônico de Esdras é conhecido na igreja ortodoxa grega como a primeira metade de II Esdras (a segunda metade é Neemias). Contudo, na igreja ortodoxa russa o livro de II Esdras se refere ao I Esdras da Septuaginta. Já no catolicismo romano o livro de Neemias é às vezes chamado de II Esdras. Como pode ser visto, a confusão é grande quanto à nomenclatura deste livro e dos livros canônicos, quando se tenta incluí-lo entre eles.

Odes – Sua autoria e data de escrita são desconhecidos. É um livro que está na Septuaginta logo após o Salmo 151. Como o nome indica é um livro de canções que em grande parte repete canções encontradas em outros livros da Bíblia, como as canções de Moisés (Êxodo 15:1-19, Deuteronômio 32:1-43), a oração de Ana, mãe de Samuel (I Samuel 2:1-10), inclui também orações e canções encontradas em outros livros apócrifos, como a oração dos três jovens (complemento deuterocanônico de Daniel). Mas, o mais interessante é o livro incluir orações que são encontradas no Novo Testamento, como o Magnificat de Maria (Lucas 1:46-55) e o cântico de Zacarias (Lucas 1:68-79). Algo realmente fantástico para um livro do Antigo Testamento (Já que alguns defendem que a Septuaginta foi inteiramente traduzida e reconhecida antes de Cristo).

Oração de Manassés – É um curto escrito de 15 versos que relata uma oração de penitência do rei Manassés de Judá enquanto esteve preso pelos assírios. O rei Manassés é registrado pela Bíblia como sendo um dos reis mais idólatras de Judá em todos os tempos (II Reis 21:1-18), mas quando foi tomado cativo pelos assírios, se arrepende e clama misericórdia a Deus (II Crônicas 33:10-17). Este livro pretende reproduzir a oração de Manassés a Deus neste momento.

Salmo 151 – Este é um salmo curto, atribuído ao rei Davi, somente encontrado na Septuaginta. Apesar de recentemente terem sido encontrados dois manuscritos, nas cavernas de Qumram, que dão base hebraica para este salmo, ele continua sendo considerado como apócrifo, exceto pela igreja ortodoxa grega que o tem como canônico.

Livros Pseudo-epígrafes (ou pseudepígrafes)

Ahicar ou Haiquar – Segundo o livro ele foi um sábio Assírio conhecido por sua grande sabedoria. O livro também conhecido como “As palavras de Ahicar” foi encontrado em um papiro aramaico de aproximadamente 500 a.C. Ahicar profere durante a narrativa várias palavras de sabedoria para seu sobrinho, como sendo de sua autoria. Mas, de fato, elas são muito similares a partes do livro de Provérbios e algumas outras a partes do livro apócrifo de Eclesiástico.

Apocalipse de Abraão – É um apocalipse de origem hebraica que foi provavelmente escrito entre 80 e 100 d.C. É somente encontrado em uma tradução para o eslovaco antigo. O primeiro terço do livro narra a conversão de Abrão do politeísmo ao monoteísmo, sendo seguido então do texto apocalíptico. Esta parte do livro se inicia com Abraão sacrificando a Deus (Gênesis 15:7-16), mas ao invés de serem aves de rapina que desciam sobre o sacrifício, este texto diz ter sido o anjo Azazel. Este nome aparece na Bíblia primeiramente em Levítico 16:8, onde é traduzido como “o bode emissário”. No livro apócrifo de I Enoque Azazel é descrito como um anjo caído do grupo dos “vigilantes”, e está diretamente associado ao inferno. Seguindo a narrativa apocalíptica o anjo Laoel guia Abraão e este aprende várias canções de louvor a Deus e vê Azazel ser condenado ao mundo inferior. Abraão é então levado ao templo de Jerusalém onde vê este ser usado para idolatria resultando na sua destruição por estrangeiros. Mas o Templo é por fim apresentado como tendo sido reconstruído em data posterior.

Apocalipse de Elias – Este é um trabalho anônimo que se apresenta como uma revelação dada por um anjo. O seu título vem do fato deste livro citar o nome de Elias por duas vezes. O livro se divide em cinco partes:

Trata da questão do jejum e da oração.

Uma profecia sobre os Assírios.

Referencia a futura chegada do filho da iniquidade, o qual é descrito em detalhes.

Referencia o martírio de Elias e Enoque (baseado na morte das duas testemunhas conforme registrado no livro canônico do Apocalipse de João), o martírio de Tabita (Atos 9:36-42), e de mais sessenta outros homens.

Referencia a destruição do filho da iniquidade após o último julgamento.

Apocalipse de Esdras – É um texto que reclama ter sido escrito por Esdras, mas que certamente foi escrito muito tempo depois, a sua datação é bem controversa, indo desde o 2º século d.C. até o 9º século d.C. O seu texto se baseia fortemente em outro apócrifo mais antigo conhecido como II Esdras (IV Esdras na vulgata ou III Esdras para os ortodoxos russos). O texto mostra o autor tendo visões do céu e do inferno, onde as punições a que são submetidos os pecadores são descritas em detalhe.

Apocalipse de Sidraque – Também conhecido como Palavra de Sidraque, é um texto apócrifo antigo, mas de datação incerta. Seu título provém da forma grega do nome de Sadraque, um dos três que foram levados vivos à fornalha ardente pelo rei Nabucodonosor. O texto descreve como Sadraque foi levado à presença de Deus, por Jesus Cristo em pessoa. Mas, mesmo que o texto se mostre superficialmente Cristão, ele é derivado de um texto judeu mais antigo, onde o nome de um arcanjo foi substituído pelo nome de Jesus.

Apocalipse de Sofonias – Este livro reclama ter sido escrito por Sofonias (o profeta), sua narrativa consiste de Sofonias sendo levado a visitar o céu e o inferno. Em sua visão do inferno Sofonias teria visto dois anjos gigantes, sendo que um deles é apresentado como sendo Eremiel, e é o guardião das almas. O outro dá a Sofonias um rolo contendo uma lista de todos os seus pecados, mas um segundo rolo é apresentado e Sofonias é julgado inocente e é transformado em um anjo.

Apócrifo de Ezequiel – É um livro escrito no estilo do Antigo Testamento e contém revelações que teriam sido dadas a Ezequiel. Hoje sobrevivem apenas alguns fragmentos em citações de Epifânio, Clemente de Roma e Clemente de Alexandria, e o Papiro Chester Beatty # 185. É provável que tenha sido escrito entre 50 a.C. e 50 d.C.

Ascensão de Isaías – Este apócrifo é datado do 2º século d.C. e foi compilado por um estudioso Cristão do qual nada se sabe. O texto tem três partes distintas, sendo que a primeira parece ter sido escrita por um autor judeu e as outras duas por autores cristãos. A primeira parte, normalmente chamada de o Martírio de Isaías, repete e expande os eventos descritos em II Reis 20. No meio desta narrativa foi inserido um apocalipse cristão conhecido como o Testamento de Ezequias. A segunda parte do livro se refere à Visão de Isaías e sua jornada assistido por um anjo.

Assunção de Moisés – É um escrito de origem judaica, com data e autoria incertas. É encontrado apenas em um manuscrito do século VI em latim. Traz uma breve descrição da história judaica até aproximadamente o 1º século d.C. O texto com aproximadamente vinte capítulos revela as profecias secretas reveladas por Moisés a Josué no final de sua vida.

II Baruque – Também conhecido como o Apocalipse siríaco de Baruque, é datado do final do 1º século ou início do 2º d.C. após a queda de Jerusalém em 70 d.C. Este trabalho (contrariando Jeremias que afirma ser Baruque um escriba) apresenta Baruque como um profeta e bastante superior a Jeremias. É um misto de oração, lamentação e visões, com um estilo de escrita próximo ao usado no livro canônico de Jeremias. Trata especialmente da sobrevivência do povo judeu, mesmo após a destruição do Templo.

III Baruque – Também conhecido como o Apocalipse grego de Baruque, é datado do final do 1º século ou início do 2º d.C. após a queda de Jerusalém em 70 d.C. Este texto tal qual II Baruque também trata da sobrevivência do povo judeu após a destruição do Templo, argumentando que o Templo está preservado no céu e é apresentado como estando completamente funcional lá, sendo mantido por anjos, não havendo, portanto, qualquer necessidade de reconstruí-lo aqui na terra. Neste texto Baruque é apresentado a vários “céus”, onde testemunha a punição dos construtores da torre de Babel e da serpente do Jardim do Éden, até que finalmente chega ao portão do quinto céu, o qual somente o arcanjo Miguel é capaz de abrir.

IV Baruque – É também conhecido como as Omissões de Jeremias (Paraleipomena de Jeremias) quando combinado com a Epístola de Jeremias. É considerado apócrifo por todas as denominações Cristãs exceto a Igreja Ortodoxa Etíope. Sendo um pseudo-epígrafe significa que Baruque não o escreveu. O texto está severamente editado, sendo difícil definir quando cada parte foi escrita. Baruque é apresentado neste texto como sendo um intermediário entre Jeremias e Deus, e não somente um escriba. Advoga a xenofobia, o divórcio de esposas estrangeiras, e o exílio daqueles que não se divorciarem. Deste modo, os que não se divorciaram são retratados como sendo os ancestrais dos samaritanos.

Conflito de Adão e Eva com Satanás – É um texto Cristão encontrado em etíope e árabe, provavelmente do 5º século d.C. Descreve os acontecimentos que se seguiram à expulsão do Jardim do Éden e segue até o testamento e o translado de Enoque.

Livro de Enoque – Este é um título dado a um conjunto de livros que se atribuem a Enoque, o bisavô de Noé (Gênesis 5:18-24). Normalmente o título “Livro de Enoque” se refere a I Enoque, que existe inteiro somente em uma tradução em língua etíope. Há outros dois livros chamados Enoque, II Enoque que existe somente em eslovaco antigo, e III Enoque que existe somente em hebraico. O livro é dividido em cinco partes distintas:

O livro dos Vigilantes (I Enoque 1-36).

O livro das Parábolas (I Enoque 37-71), também conhecido como as Comparações de Enoque.

O livro dos Luminares Celestes (I Enoque 72-82), também conhecido como livro dos Luminares ou Livro Astronômico.

As Visões de Sonhos (I Enoque 83-90), também chamado de o livro dos Sonhos.

A Epístola de Enoque (I Enoque 91-108).

A passagem de I Enoque 1:9 é citada em Judas 14-15. Devido a este fato, muitos dos primeiros pais da Igreja consideraram este livro como sendo canônico, entre eles Justino Mártir, Irineu, Orígenes, Clemente de Alexandria e Tertuliano. Contudo, a Igreja como um todo negou a canonicidade deste livro. E isto gerou inclusive problemas para a aceitação da carta de Judas, por citar um livro apócrifo. No fim o entendimento foi de que a citação de I Enoque 1:9 em Judas foi canonizada pela ação do Espírito Santo ao permiti-la no Texto Sagrado.
Este texto foi datado como sendo do período dos Macabeus (aproximadamente 160 a.C.).

II Enoque – Também conhecido como Os Segredos de Enoque é um texto de origem judia com data e autoria incertas. Ele sobrevive apenas em uma cópia em eslovaco antigo, texto este que certamente foi traduzido a partir de uma cópia em grego. O livro trata da jornada de Enoque através de dez céus até se encontrar com Deus, seguido por uma discussão sobre a criação do mundo, e as instruções de Deus para Enoque para que retornasse à Terra e disseminasse o que aprendera de Deus. Ao final, Enoque é levado de volta ao céu e é transformado no anjo Metraton. Neste ponto o texto passa a tratar das histórias de Matusalém, Nir (irmão mais novo de Noé), e Melquisedeque.

III Enoque – Existe somente em hebraico, sendo datado do 5º o 6º século d.C. o livro clama ter sido escrito pelo rabi Ismael que se tornou sumo sacerdote após ter visões do céu. O livro se inicia com o relato da Ascensão de Ismael (1-2), em seguida mostra Ismael encontrando-se com o Enoque (3-16), e uma descrição das moradas celestiais (17-40), termina apresentando as maravilhas celestes (41-48).

História dos Recabitas – História dos descendentes de Recabe (II Samuel 4:2ss), vivendo em uma ilha liderados por Jonadabe (filho de Recabe). O livro lembra muito os escritos mitológicos gregos, mostrando particularmente similaridades com os contos de Terapeuta.

Carta de Aristeas – É uma falsificação de origem heleno-judaica atribuída a um certo Aristeas que a teria escrito para Filócrates, descrevendo uma tradução para o grego das leis judaicas por setenta e dois tradutores enviados ao Egito de Jerusalém a pedido da biblioteca de Alexandria, o que teria resultado na tradução conhecida como Septuaginta. Em 1684, Humphrey Hody publicou o documento “Contra historiam Aristeae de LXX, interpretibus dissertario”, no qual mostrou que a assim chamada “Carta de Aristeas” era uma falsificação tardia produzida por um judeu helenizante, originalmente distribuída para atribuir autoridade à versão LXX. Esta dissertação é normalmente tida como conclusiva.

Vida de Adão e Eva – Este escrito de origem judaica foi originalmente escrito provavelmente em torno de 70 a.C. A história trata dos acontecimentos imediatamente posteriores à expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden e continua até a morte de Adão e depois de Eva. O livro também apresenta uma visão da queda da raça humana do ponto de vista de Eva.

Salmos de Salomão – É um conjunto de dezoito salmos apócrifos atribuídos a Salomão, mas que provavelmente foram escritos por um fariseu da Judeia por volta do período da tomada de Jerusalém por Pompeu em 63 d.C. São modelados de modo semelhante aos salmos encontrados na Bíblia. E os salmos 17 e 18 são semelhantes ao Salmo 72 do livro de Salmos.

Pseudo-Filo – Texto em latim, chamado desta forma por estar normalmente anexado ao trabalho de Filo de Alexandria, mas claramente, não sendo um trabalho de Filo. Nesta obra o templo de Jerusalém é dito como ainda existindo, o que poderia indicar uma data de composição anterior a 70 d.C.

Testamento de Abraão, de Isaque e de Jacó – É um trio de trabalhos peculiares, apesar de não haver indícios de que fossem originalmente uma única obra. Em seus estilos lembram a bênção de Jacó encontrada em Gênesis 49:1-27. Os Testamentos foram originalmente compilados provavelmente no final do segundo século d.C. por um judeu cristão desconhecido, o de Abraão narra a relutância dele em morrer e como a morte pessoalmente lhe veio e o enganou para que morresse. O Testamento de Isaque está carregado de temas cristãos, apesar de se entender que estes temas foram acrescentados ao trabalho originalmente judeu. Relata que um anjo o leva ao céu, onde vê a tortura dos pecadores antes de se encontrar com o falecido Abraão. Isaque, não estando ainda morto é instruído por Abraão a voltar e escrever seu testamento, o que faz antes de morrer definitivamente. O Testamento de Jacó se inicia com Jacó sendo visitado pelo arcanjo Miguel e avisado de sua morte iminente. Neste testamento são os anjos que Jacó encontra que pregam a mensagem central.

Testamento dos Doze Patriarcas – Este livro apócrifo traz os últimos desejos dos doze filhos de Jacó. É considerado como literatura apocalíptica judaica. Os testamentos foram escritos em hebraico, provavelmente no final do 2º século a.C. ou início do 1º, sendo que estudos recentes apontam para uma data entre 135 e 63 a.C. Tudo indica que teve um único autor, provavelmente um fariseu. Mas, sofreu edição posterior e interpolação de material de origem cristã em seu texto original.

Visão de Esdras – É texto apócrifo que clama ter sido Esdras seu escritor. Os seus manuscritos mais antigos, compostos em latim, datam do 11º século d.C. O texto tem grande dependência de II Esdras, possui um apocalipse incipiente e retrata Deus respondendo às preces de Esdras, e enviando-lhe sete anjos para lhe mostrar o paraíso.

APÓCRIFOS DO NOVO TESTAMENTO

Praticamente todos os textos apócrifos do Novo Testamento são pseudo-epígrafes, ou seja, são textos que clamam ter sido escritos por alguém que não os escreveu. Dividem-se em várias categorias, como evangelhos da infância, evangelhos judeo-cristãos, evangelhos rivais aos canônicos, visões, cartas, textos gnósticos etc.

Evangelhos da Infância

A falta de informação sobre a infância de Jesus nos evangelhos canônicos levou os primeiros Cristãos a uma fome por mais detalhes sobre a juventude de Jesus. Esta fome fez com que no 2º século e depois, alguns escrevessem contando lendas sobre este período da vida do Senhor, nenhum deles canônico, mas certamente populares em seu tempo e depois, sendo que ainda hoje vemos reflexos de seu conteúdo na religiosidade popular.

Proto-evangelho de Tiago – Também chamado de Evangelho de Tiago, ou Evangelho de Tiago da Infância, foi escrito provavelmente em torno de 150 d.C. O documento se apresenta como tendo sido escrito por Tiago, passando por Tiago o Justo, irmão de Jesus. O livro contém três partes de oito capítulos cada, iniciando-se com a história do nascimento e infância de Maria e consagração ao templo, a segunda parte conta a crise causada por Maria se tornar mulher e, portanto sua iminente contaminação do templo e a designação de José como seu guardião e os testes de sua virgindade, e por fim relata o nascimento de Jesus em uma caverna, com a visita de parteiras, escondendo Jesus de Herodes o Grande em uma manjedoura, e também o martírio de Zacarias pai de João o Batista durante o massacre das crianças, e como João o Batista e sua mãe foram escondidos de Herodes Antipas nas montanhas.

Evangelho de Tomé da Infância – Não deve ser confundido com o Evangelho de Tomé. O autor deste evangelho é desconhecido. A data provável de sua escrita está entre 80 e 185 d.C. e descreve a vida do menino Jesus, com eventos extravagantes sendo alguns deles malévolos. Em um dos episódios Jesus está fazendo pássaros de barro, os quais em seguida ganham vida. Este ato é também atribuído a Jesus no Corão. Em outro episódio uma criança espalha a água que Jesus está juntando. Jesus então amaldiçoa a criança que murcha até morrer.

Evangelho do Pseudo-Mateus – Também chamado de Nascimento de Maria e Infância do Salvador, ou de Evangelho de Mateus da Infância. É uma composição em latim do 4º ou 5º século d.C. Este texto tem autoria, mas clama ter sido escrito por Mateus e traduzido por Jerônimo. O seu conteúdo é basicamente uma reprodução editada do Proto-evangelho de Tiago, seguida da fuga para o Egito, e de uma reprodução editada do Evangelho de Tomé da Infância. É nele que primeiramente se menciona um boi e um burro como estando presentes no nascimento de Jesus.

Evangelho Arábico da Infância – Foi compilado, provavelmente, no 6º século d.C. e se baseia no Evangelho de Tomé da Infância e no Proto-evangelho de Tiago. Consiste de três partes: O nascimento de Jesus, os milagres durante a fuga para o Egito e os milagres de Jesus como menino. Partes da narrativa deste evangelho, especialmente a segunda parte (os milagres no Egito), também podem ser encontrados no Corão.

Outros evangelhos da Infância – A Vida de João o Batista, supostamente escrito pelo bispo Serapião em 390 d.C. e A História de José o Carpinteiro, provavelmente composto no 5º século d.C. no Egito.

Evangelhos Judeu-Cristãos

Alguns grupos dentre os primeiros Cristãos mantinham uma forte submissão ao judaísmo, especialmente à lei mosaica, os quais o apóstolo Paulo chamou de judaizantes, acabaram por criar evangelhos segundo suas próprias crenças.

A maior parte destes escritos sobrevive apenas como comentários críticos produzidos por pessoas da cristandade paulina, que eram Cristãos que seguiam os ensinos do apóstolo Paulo, também tratados em I Coríntios 1:12 e 3:4 como “os que são de Paulo”.

Evangelho dos Hebreus – Este evangelho, composto em hebraico, está perdido exceto por algumas citações de Epifânio, um escriba da igreja que viveu no final do 4º século d.C. Este evangelho era também conhecido por Jerônimo, que afirma em um de seus escritos que o estava traduzindo para o grego. Sua data e autoria são desconhecidas, apesar de alguns o atribuírem ao próprio Mateus.
Em geral, segue o conteúdo do Evangelho canônico de Mateus, mas com algumas divergências importantes. Um dos pontos de maior distinção é que ele referencia o Espírito Santo como sendo a mãe de Jesus, coloca Tiago, o Justo, como cabeça da igreja de Jerusalém, e se concentra em exortar para uma estrita obediência à lei judaica. Também altera a oração do Senhor, substituindo o “pão nosso de cada dia”, por “pão para amanhã”.
Epifânio, em seu trabalho afirma:

Eles dizem que Cristo não foi o primogênito de Deus o Pai, mas criado como um dos arcanjos… que ele domina sobre os anjos e sobre todas as criaturas do Todo-Poderoso, e que ele veio e declarou em seu Evangelho, o qual é chamado Evangelho segundo Mateus, ou Evangelho segundo Mateus aos Hebreus, dizendo: “Eu vim para fazer com que cessem os sacrifícios, e se vós não cessardes com os sacrifícios, a ira de Deus sobre vós não cessará”.

Evangelho dos Nazarenos – Aparentemente deriva do Evangelho dos Hebreus, com poucas diferenças. Quanto à data e local de escrita há muita controvérsia, mas como Clemente usou o livro no final do 2º século, ele é certamente mais antigo que isto. O local de escrita mais cotado é Alexandria no Egito.

Evangelho do Ebionitas – Este evangelho tem grande afinidade com o Evangelho dos Hebreus e com o dos Nazarenos. Como os outros dois ele também somente sobrevive em pequenos fragmentos encontrados em citações de autores dos primeiros séculos. Epifânio ressalta algumas diferenças entre o Evangelho dos Ebionitas e o Evangelho dos Nazarenos. Segundo ele os Nazarenos eram considerados como parte da cristandade ortodoxa, enquanto o Ebionitas eram considerados hereges, especialmente por rejeitarem o nascimento virginal de Jesus. Neste evangelho Jesus aparece como sendo vegetariano, e somente no batismo recebe sua “parte divina”.

Evangelhos rivais dos Evangelhos canônicos

Muitas versões alternativas, grandemente editadas, de evangelhos existiram durante os primórdios do Cristianismo. Estas alterações normalmente serviam para dar suporte a alguma visão religiosa particular, em geral, considerada herética pela igreja primitiva.

Evangelho de Marcion – Também conhecido como Evangelho do Senhor foi um texto usado em meados do segundo século por Marcion excluindo os outros evangelhos. Este evangelho sobrevive apenas em citações de seus críticos, contudo é possível através destas citações se reconstruir praticamente todo o seu texto original. Este evangelho se baseia no Evangelho canônico de Lucas, tendo sido editado para se acomodar à teologia de Marcion, por exemplo, os dois primeiros capítulos de Lucas, sobre o nascimento de Jesus e o início em Cafarnaum foram eliminados e foram feitas modificações no restante para acomodar o Marcionismo, por exemplo, em Lucas 10:21 temos “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra”, em Marcion se lê: “Graças dou, Pai, Senhor do céu”, destacando a visão gnóstica de que a terra é má, logo, Deus não é seu Senhor.

Evangelho de Mani – Este evangelho escrito por Mani, um persa que viveu no 3º século d.C. Ele tentou fazer uma síntese das correntes religiosas de sua época: cristianismo, zoroastrismo e budismo, produzindo com isto um novo evangelho. O texto se parece mais com um comentário dos evangelhos do que uma nova testemunha. Mani, afirma ser profeta e apóstolo, como em: “Eu, Mani, o Apóstolo de Jesus o Amigo, pela vontade do Pai, o verdadeiro Deus, por quem comecei…”.

Evangelhos de Logia (ou de dizeres, frases e parábolas curtas)

Evangelho de Tomé – Não deve ser confundido com o Evangelho de Tomé da Infância. Este é um evangelho gnóstico que foi encontrado em 1945 nas cavernas de Nag Hammadi, em um manuscrito copta. Diferentemente dos evangelhos canônicos, este não traz uma narrativa conectada aos dizeres atribuídos a Jesus. É apenas uma coleção de dizeres e parábolas que teriam sido proferidos por Jesus, alguns diálogos com o Senhor, e dizeres que alguns dos discípulos teriam reportado a Tomé, chamado Dídimo. A obra consiste de 114 dizeres atribuídos a Jesus, alguns dos quais lembram as falas do Senhor nos evangelhos canônicos. No 4º século, Cirilo de Jerusalém mencionou o Evangelho de Tomé, nos seguintes termos: “Não permita que ninguém leia o evangelho segundo Tomé, porque esta obra, não é de um dos doze apóstolos, mas de um dos três perniciosos discípulos de Mani”. Contudo, os textos em Nag Hammadi são certamente mais antigos que a época de Mani. Os críticos tendem a datar este Evangelho no final do primeiro século.
Em um de seus ditos (v.70) encontramos Jesus dizendo que a salvação está no interior do ser humano: “Se colocardes para fora o que está em vosso interior, o que tendes vos salvará. Se não o colocardes para fora, o que tendes em vosso interior vos matará”. No v.3, temos: “O Reino de Deus está dentro de vós”.
Escritos como este evangelho são certamente a razão para a igreja ter buscado estabelecer de forma oficial o cânon do Novo Testamento. Estabelecendo a crença na morte e na ressurreição do Senhor como o coração da mensagem proclamada pela Igreja desde o seu início no livro de Atos dos Apóstolos.

Evangelho de Filipe – É um evangelho gnóstico datado do 2º ou 3º século, de autor desconhecido. Similarmente ao evangelho gnóstico de Tomé este também é um evangelho de dizeres, ou falas atribuídas ao Senhor, algumas das quais lembram as palavras do Senhor encontradas nos evangelhos canônicos. Entre seus ditos encontramos: “Aquele que tem o conhecimento da verdade é um homem livre, mas o homem livre não peca, porque ‘Aquele que peca é escravo do pecado’. A verdade é a mãe, o conhecimento o pai”. E ainda: “Jesus veio para crucificar o mundo”.

Evangelhos Morais

Alguns textos tomaram a forma de discursos sobre a moralidade, e em particular sobre a abstinência sexual, normalmente apresentando um debate entre Jesus e um de seus discípulos, estes são os evangelhos morais.

Evangelho dos Egípcios (em Grego) – Não deve ser confundido com o Evangelho dos Egípcios em Copta, que é uma obra completamente diferente. Este evangelho foi escrito provavelmente na primeira metade do 2º século em Alexandria. Ele foi citado por Clemente de Alexandria. Este evangelho toma a forma de uma conversa entre a discípula de Jesus, Salomé (Marcos 15:40) e Jesus, que advoga a causa do celibato, como comenta Cameron: “cada fragmento endossa o ascetismo sexual como meio de quebrar o ciclo letal do nascimento e de superar as diferenças pecaminosas entre o homem e a mulher, permitindo a todas as pessoas retornar ao que foi entendido como seu estado primordial de androgenia” (Cameron 1982).

Evangelho de Tomé, o contendor – Ou livro de Tomé o contendor, não deve ser confundido com o Evangelho de Tomé. O evangelho se inicia assim: “As palavras secretas que o salvador disse a Tomé, as quais eu, eu mesmo, Matias, escrevi, enquanto andava ouvindo-os falar um com o outro”. Este escrito foi achado na biblioteca de Nag Hammadi, no deserto egípcio. Alguns consideram que este livro pode ser o Evangelho de Matias, livro este que estava perdido. Nele Jesus trata Tomé como seu próprio irmão gêmeo, e lhe expõe o tema da moralidade, e particularmente da sexualidade. Jesus segue então mostrando como o celibato oferece a rota para a salvação, e como a paixão sexual é um fogo que causa ilusão, e aprisionamento em um estado de luxúria.

Evangelhos da Paixão

São evangelhos que tratam especificamente da questão da morte e da ressurreição de Jesus.

Evangelho de Pedro – O evangelho de Pedro é uma narrativa da paixão, que foi bem conhecida no início da história Cristã, mas que desapareceu com o tempo. Hoje é conhecida apenas de ouvir falar, especialmente pela carta de Serapião, bispo de Antioquia de 190 a 203 d.C., referenciada por Eusébio, que afirma o seguinte: “muito dele se enquadra nos corretos ensinos sobre o Salvador, mas algumas partes podem encorajar seus ouvintes a cair na heresia do docetismo”.

Atos de Pilatos – Se inclui como um apêndice ao texto medieval em latim chamado Evangelho de Nicodemos. O texto é provavelmente da metade do 4º século, sendo de autoria desconhecida. A primeira parte do livro relata o julgamento de Jesus, com base em Lucas 23 e a segunda trata da ressurreição. Nele, Lúcio e Carino, duas almas ressuscitadas após a crucificação, relatam ao Sinédrio os acontecimentos da descida de Cristo ao Limbo. O episódio do Angustiante Inferno descreve Dimas (nome dado por este manuscrito ao malfeitor crucificado com Jesus e que recebeu Dele o perdão) acompanhando Cristo no Inferno, e a libertação dos patriarcas do Antigo Testamento que eram justos.

Evangelho de Bartolomeu – As primeiras referências a este texto foram feitas por Jerônimo e recentemente foram descobertos alguns fragmentos de manuscritos em copta contendo o texto. Este texto contém as visões de Bartolomeu, e os atos de Tomé, mas é predominantemente um texto sobre a paixão e a eucaristia. O texto começa com a crucificação de Jesus, e então passa à ida de Jesus ao inferno, onde encontra com Judas e prega para ele. Jesus resgata todos os que estão no inferno, exceto Judas, Caim e Herodes o Grande. Bartolomeu está presente à cena, e é depois levado ao mais alto nível do céu, de modo a poder ver a liturgia (católica) indo celebrar a ressurreição.

Questões de Bartolomeu – Não deve ser confundido com o Evangelho de Bartolomeu. O texto sobrevive em cópias em grego, latim e eslovaco antigo, mesmo que cada cópia varie grandemente da outra. O texto apresenta Jesus respondendo aos seus discípulos algumas perguntas formuladas por Bartolomeu. O texto se atém fortemente ao misticismo judaico (tal qual o Livro de Enoque), buscando dar explicações para os aspectos sobrenaturais do Cristianismo. O livro mostra como Jesus desceu ao inferno, por suas próprias palavras, trata da imaculada concepção de Maria, e finalmente, Bartolomeu pede para ver Satanás, e então um coro de anjos arrasta Satanás acorrentado do inferno, mas vê-lo faz com que os apóstolos morram. Jesus então imediatamente os ressuscita e dá a Bartolomeu o controle sobre Satanás. O texto também afirma que a queda do homem foi causada por Eva ter tido relações sexuais com Satanás.

Atos dos Apóstolos de Leucius

São textos que tratam da vida dos apóstolos após a ressurreição de Jesus. Todos atribuídos a Leucius Charinus supostamente um discípulo de João o apóstolo, e que se uniu a este em oposição aos Ebionitas.

Atos de João – É uma coleção de narrativas e tradições do 2º século d.C. inspirada no evangelho canônico de João. Alguns atribuem sua autoria a Prócoro, um dos diáconos selecionados em Atos 6. Este livro apresenta duas viagens de João a Éfeso, cheias de eventos dramáticos, milagres como o colapso do templo de Ártemis, assim como também apresenta João pregando no teatro para convencer os seguidores de Ártemis. Contém também o episódio da última ceia com a “dança de roda da cruz” que teria sido instituída por Jesus, dizendo: “Antes de eu ser entregue a eles, cantemos um hino ao Pai e assim sigamos a ver o que mente diante de nós”, direcionou para que fosse formado um círculo ao redor dele, dando-se as mãos e dançando. Os apóstolos gritaram “Amém” ao hino de Jesus.

Atos de Paulo – É um dos maiores textos apócrifos do Novo Testamento. Foi escrito no final do 2º século d.C. O texto era composto de:

Atos de Paulo e Thecla – Neste texto Paulo está viajando a Icônio, proclamando “a palavra de Deus sobre a abstinência, a virgindade e a ressurreição”. Thecla, é uma virgem jovem e nobre, que ouve os discursos de Paulo sobre a virgindade de sua janela na casa ao lado. Seu noivo então leva Paulo ao governador que o prende. Thecla vai à prisão para ouvir Paulo, e é então condenada por estar dando ouvidos à questão da virgindade à morte na fogueira, mas nada lhe acontece pois Deus manda um chuva e terremotos para apagar as chamas. A história segue nestes termos, até que Thecla foge para uma caverna (estando ainda virgem) e mora lá por mais 72 anos. Aos 90 anos um homem tenta corrompê-la, mas Thecla consegue escapar e vai a Roma onde é enterrada com Paulo.

Epístola dos Coríntios a Paulo – Este escrito clama descrever os ensinos de Simão, o mago, incluindo a ideia de que Deus não é Todo-Poderoso, que a ressurreição é falsa, que Cristo não foi Deus verdadeiramente encarnado corporalmente (ideia docetista), que os anjos fizeram o mundo, e que os profetas foram imprecisos.

Terceira Epístola aos Coríntios – Este texto foi posteriormente separado dos Atos de Paulo. O texto escrito por um Pseudo-Paulo (provavelmente um presbítero cristão em 170 d.C.), é uma resposta à Epístola dos Coríntios a Paulo, e é estruturado para tentar corrigir alguns problemas de interpretação nas Epístolas de I e II aos Coríntios. (canônicas). Em particular a epístola tenta corrigir a interpretação da frase: “a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus” (I Co.15:50), pela qual alguns diziam que a ressurreição não seria corporal.

O Martírio de Paulo – Texto que retrata a morte de Paulo nas mãos de Nero.

Atos de Pedro – Este texto da segunda metade do 2º século d.C. relata o miraculoso embate entre Pedro e Simão o mago em Roma. Nele Pedro executa milagres como a ressurreição de um peixe defumado, e fazer cachorros falarem. O texto condena Simão, o mago, antiga figura ligada ao gnosticismo. Algumas versões deste texto também fazem referência a uma mulher (ou mulheres) que prefere a paralisia ao sexo. No Códice de Berlin, a mulher é apresentada como a filha de Pedro. Conclui descrevendo o martírio de Pedro, crucificado de cabeça para baixo.

Atos de André – É um texto do 3º século d.C. baseado em Atos de João e de Pedro, descreve viagens de André e os milagres que fez durante estas viagens e finalmente uma descrição da forma como supostamente morreu. Como nos outros livros congêneres os milagres são extremamente sobrenaturais, e muito exagerados. Por exemplo, além dos milagres usuais de levantar mortos, curar cegos, e outros, ele sobrevive ao ser jogado aos animais selvagens, acalma tempestades, e derrota exércitos apenas fazendo o sinal da cruz. André também faz com que um embrião resultante de um relacionamento ilegítimo morra. Ao ser crucificado, André ainda é capaz de pregar sermões por três dias.

Atos de Tomé – Este texto gnóstico do início do 3º século d.C. é apresentado em uma série de episódios, que ocorrem durante a missão evangelística de Tomé à Índia. Termina com seu martírio no qual ele morre perfurado por lanças porque causou a ira do Rei Misdaeus pela conversão de suas esposas e um parente.

Extratos das vidas dos Apóstolos

Atos de Pedro e André – Este texto não tem uma datação definida, e consiste de uma série de contos curtos de milagres, como quando André cavalga uma nuvem para ir de encontro a Pedro, e Pedro literalmente faz passar um camelo através do buraco de uma agulha. O texto parece ser uma tentativa de continuar os Atos de André e Matias (que faz parte dos Atos de André).

Atos de Pedro e os Doze – O texto datado do 2º século, é constituído de uma alegoria inicial, semelhante à descrita no Evangelho de Mateus, do negociante de pérolas (Mateus 13:44ss.) mas que aqui está vendendo uma pérola de grande valor. O negociante é evitado pelos ricos, mas os pobres vão a ele em grande quantidade, e descobrem que a pérola está guardada na cidade natal do negociante, “Nove Portões”, e aqueles que quiserem a pérola deverão empreender a dura viagem até Nove Portões. O nome do negociante é Lithargoel, que traduzido é pérola, ou seja, o próprio negociante é a pérola. Por fim, o negociante se revela como sendo o próprio Jesus.

Atos de Pedro e Paulo – Este é um texto tardio, do 4º século, que conta a lenda da viagem de Paulo da ilha de Guadomelete para Roma, apresentando Pedro como sendo irmão de Paulo. Também descreve a morte de Paulo por decapitação, uma antiga tradição da igreja.

Atos de Filipe – Este livro é uma fantasia datada do final do 4º século ou início do 5º século d.C. envolvendo milagres e um suposto diálogo que fez Felipe conquistar muitos convertidos. Termina com a crucificação de Filipe em uma cruz invertida.

Epístolas

Há uma série de epístolas não canônicas, mas escritas no formato de epístolas canônicas, muitas das quais (apesar de espúrias) foram bastante consideradas pela igreja primitiva.

Epístola de Barnabé – É um apócrifo encontrado no Códice Sinaíticus do 4º século. Não deve ser confundido com o medieval Evangelho de Barnabé. Esta é uma pseudo-epígrafe de autoria desconhecida, provavelmente escrita no início do 2º século. O texto apesar de não ser gnóstico em um sentido heterodoxo, clama a que sua audiência busque um perfeito conhecimento (conhecimento especial). A obra é mais um tratado, ou homilia, que uma epístola. Sua lógica não é das mais primorosas, e sua mensagem não traz novidades. É interessante que a epístola cita o Evangelho de Mateus (canônico) como Escritura, contudo, também cita provavelmente IV Esdras e certamente I Enoque. Em certo ponto parece advogar que o povo Cristão é o único verdadeiro povo da aliança, e que os judeus nunca haviam estado em uma aliança com Deus.

I Clemente – É uma carta de autoria incerta, endereçada como sendo da “igreja de Deus que está em Roma para a igreja de Deus que está em Corinto”. Sua datação tradicional está colocada em 96 d.C. A carta é motivada por uma disputa em Corinto, que excluiu do serviço vários presbíteros, mas já que nenhum foi acusado de problemas morais a carta advoga que foram afastados injustamente. A carta cita em profusão o Antigo Testamento, algumas cartas de Paulo e algumas falas do Senhor Jesus, e está incluída no Códice Alexandrinus do 5º século. Apesar de não conter problemas doutrinários, e de ser lida em várias igrejas, jamais atingiu os requisitos canônicos, especialmente por sua autoria desconhecida.

II Clemente – Esta homilia foi escrita em Roma em meados do 2º século, sendo uma pseudo-epígrafe que tradicionalmente era atribuída a Clemente de Roma. Suas citações aparentemente derivam do Evangelho dos Egípcios em Grego.

Epistola dos Coríntios a Paulo – Já tratada acima como parte dos Atos de Paulo.

Epístola aos Laodicenses – Curta epístola encontrada apenas em algumas edições da Vulgata em latim, e em nenhum manuscrito grego. Ela se faz passar pela epístola de Paulo à igreja de Laodiceia mencionada em sua Epístola aos Colossenses (4:16), carta esta perdida, apesar de alguns suporem se tratar da Epístola canônica aos Efésios. É quase que unanimemente considerada uma pseudo-epígrafe, constituindo-se de um pastiche de frases tomadas de epístolas genuínas do apóstolo Paulo.

Pseudo-Correspondência entre Paulo e Sêneca, o jovem – Consiste de uma série de oito cartas supostamente enviadas pelo filósofo estóico Sêneca, e seis respostas supostamente enviadas pelo apóstolo Paulo. As cartas foram compostas provavelmente na segunda metade do 4º século e tem autoria desconhecida. Baseiam-se na tradição de que tanto Sêneca quanto Paulo estiveram em um mesmo período na cidade de Roma.

III Coríntios – Já tratada acima como parte dos Atos de Paulo.

Apocalipses

Apocalipse de Pedro – Não deve ser confundido com o Apocalipse gnóstico de Pedro. Está datado na primeira metade do 2º século, foi considerado canônico por Clemente de Alexandria, mas foi recusado pelo restante da Igreja. Subsiste em apenas dois manuscritos, um em grego e outro e etíope os quais divergem grandemente entre si. O texto tem um estilo literário simples, mas muito apreciado pelos populares em Alexandria. Trata basicamente de uma visão do Céu e do Inferno. Roberts-Donaldson afirma: “O Apocalipse de Pedro mostra impressionante parentesco com a segunda epístola de Pedro… Também apresenta notáveis paralelos com os Oráculos de Sibeline… É uma das fontes do escritor do Apocalipse de Paulo… E direta ou indiretamente este texto pode ser considerado como o pai de todas as visões medievais do outro mundo”.

Apocalipse de Paulo – Este texto também é encontrado tendo a Virgem Maria no lugar de Paulo como a pessoa que recebe a revelação. Este texto paralelo é conhecido como o Apocalipse da Virgem. Não deve ser confundido com o Apocalipse gnóstico de Paulo. A narrativa aparenta ser uma elaboração e um rearranjo do Apocalipse de Pedro, inicia-se com um apelo de todas as criaturas contra os pecados da humanidade segue essencialmente descrevendo uma visão do Céu e do Inferno. No final do texto Paulo (ou Maria) consegue persuadir Deus a dar a todos no Inferno um dia de descanso, fora do Inferno, a cada domingo.

Apocalipse de Tomé – Aparentemente foi composto originalmente em latim em data desconhecida, trata dos sinais do fim do mundo. Parece ser uma curta interpretação do Apocalipse de João. Apresenta os fatos que acontecerão em uma sequência de seis dias de tormento antes da vinda de Jesus, e no final do sétimo dia se fará paz e os anjos virão à Terra.

Apocalipse de Estevão – Texto com autoria e datação incertas, descreve um conflito sobre a natureza de Jesus de Nazaré. Estevão aparece em cena e reconta o apocalipse como uma verdade literal. A multidão se insurge contra Estevão e o leva perante Pilatos, a quem Estevão ordena que se cale e que reconheça Jesus. O texto conta que Estevão sendo perseguido por Saulo, foi crucificado, mas solto por anjos, depois foi levado ao Sinédrio onde recontou uma suposta profecia de Natã sobre Jesus, e foi julgado e condenado ao apedrejamento. Sendo levado pela multidão iniciou-se o apedrejamento, quando Nicodemos e Gamaliel tentaram impedir o processo e também foram mortos. Após sua morte, Estevão foi enterrado por Pilatos em um caixão de prata. Pilatos então recebe as visões celestiais de Estevão e se converte.

I Apocalipse de Tiago – É um texto gnóstico encontrado em Nag Hammadi. A datação e autoria ainda são incertas, mas provavelmente escrito depois do II Apocalipse de Tiago. O texto se apresenta como um diálogo entre Tiago, o justo, irmão de Jesus, e o próprio Jesus. Se inicia tratando do medo de Tiago de ser crucificado, e segue apresentando uma série de senhas dadas por Jesus a Tiago de modo a que ele chegasse até o mais alto dos céus (são 72) após morrer, sem ser bloqueado pelos poderes do mal do demiurgo (segundo os gnósticos o ser que intermediou a criação).

II Apocalipse de Tiago – Escrito provavelmente durante o 2º século d.C. esteve perdido até ser reencontrado em Nag Hammadi. O texto é claramente gnóstico, apresentando um beijo na boca que Jesus teria dado em Tiago, metáfora para a passagem da gnose entre duas pessoas (deixa claro que não se trata de um relacionamento homossexual). O texto termina com a horrível morte de Tiago por apedrejamento, provavelmente refletindo uma antiga tradição sobre sua morte.

Livros dos Pais da Igreja

Enquanto a maior parte dos livros tratados até aqui tenham sido considerados heréticos (especialmente aqueles de tradição gnóstica), outros não foram considerados como sendo particularmente heréticos em seu conteúdo, em muitos casos sendo bem aceitos como obras com alguma significância espiritual. Eles, contudo, não foram considerados canônicos, mas pertencem à categoria de escritos dos pais da Igreja.

I Clemente – Já citada acima.

O Pastor de Hermas – Ou simplesmente “O Pastor”. É uma obra Cristã do 2º século, considerada um livro valioso por muitos Cristãos, tendo sido considerada como canônica por alguns pais da igreja. Alguns atribuem sua autoria a Hermas (Rm.16:14). Mas, há grande controvérsia a este respeito. Trata-se de uma alegoria Cristã consistindo de cinco visões dadas a Hermas, um ex-escravo, seguidas de doze mandamentos, e dez parábolas. Apesar da seriedade dos assuntos tratados, o livro foi escrito em um tom otimista e esperançoso, como muitos dos escritos dos primeiros Cristãos. Tem vários e sérios problemas, especialmente quanto à questão da Trindade, e à noção de que a Igreja é uma instituição necessária à salvação.

Didaquê – Antes considerado como perdido, o Didaquê, ou Ensino dos Apóstolos, foi redescoberto em 1883 no Códice Hierosolymitanus de 1053. O texto foi provavelmente escrito já no 1º século, mas tem autoria incerta. O conteúdo pode ser dividido em quatro partes: Os dois caminhos, o caminho da vida e o caminho da morte (1-6), rituais de batismo, jejum e comunhão (7-10), o ministério e como lidar com os ministros itinerantes (11-15) e um breve apocalipse (16). Há no texto, tal qual o recebemos, claros sinais de que foi editado posteriormente para se adequar a certas questões eclesiológicas, como o batismo por aspersão.

Evangelhos Harmônicos

Alguns textos buscaram prover uma harmonização dos evangelhos canônicos, tentando apresentar, de alguma forma, um texto unificado. Entre estes textos o mais conhecido é o Diatessaron:

Diatessaron – Escrito por Taciano em 175 d.C. foi a mais proeminente harmonização dos quatro evangelhos, ou seja, o material dos quatro evangelhos escritos de modo a formar uma única narrativa. Somente 56 versos dos Evangelhos canônicos não tiveram uma contrapartida no Diatessaron, sendo que a maior parte das exclusões se deve às duas genealogias de Jesus em Mateus e Lucas, juntamente com o relato sobre a mulher adúltera em João 7:53-8:11. Contudo, a sequência da narrativa do Diatessaron é substancialmente diferente da encontrada em qualquer dos evangelhos.

Livros Perdidos

Há muitas obras e textos que são mencionados em algumas fontes antigas, mas que nenhuma parte conhecida do texto sobreviveu.

Evangelho de Matias

Evangelho dos Quatro Impérios Celestiais

Evangelho da Perfeição

Evangelho de Eva – Uma citação deste evangelho é dada por Epifânio. É possível que este seja o Evangelho da Perfeição que ele trata em outra parte. A citação mostra que este evangelho era a expressão de um completo panteísmo.

Evangelho dos Doze

Evangelho de Tadeu – Alguns entendem ser este um sinônimo para o Livro de Judas.

Memória Apostólica

Evangelho dos Setenta

Lápide dos Apóstolos

Livro dos feitiços das serpentes

Porção dos Apóstolos

Outros Escritos


Fonte: http://www.gnosisonline.org/teologia-gnostica/livros-apocrifos-da-biblia-relacao-e-explicacao/

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Einstein e Deus



“Era, naturalmente, uma mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Eu não acredito em um Deus pessoal e nunca neguei isso, mas manifestaram claramente. Se há algo em mim que pode ser chamado de religioso então é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo tanto quanto a nossa ciência pode revelar. “

(Albert Einstein, citado no livro “Albert Einstein, o Lado Humano”)


“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

(Citado em Golgher, I. “O Universo Físico e humano e Albert Einstein”, p. 304)


Já comentei brevemente aqui no blog, em outros posts mais antigos, a respeito da “fé” de Einstein. Resolvi escrever um post (sem grandes pretensões, é claro) sobre o assunto porque já vi tanto em livros como em vídeos e sites de internet, coisa demais sendo falada em nome dele. Fora o que me perguntam por email! Os ateus dizem que ele era ateu. Religiosos dizem que ele era religioso. Inclusive tem um vídeo bem legal que circulou no Youtube de uma propaganda da Macedônia, que visava promover a educação do Ensino Religioso nas escolas, que utiliza um suposto diálogo entre um Albert Einstein criança e um professor, em que Einstein demonstra ao professor que “deus existe”:


Pois. Apesar de atribuído a Einstein, o diálogo é fictício. Essa história já fez parte de correntes de emails, que conforme crescem e se espalham acabam adquirindo vida própria, já que a maioria das pessoas não questiona (“se está de acordo com o que eu penso, então é verdade” – sejam ateus, sejam crentes). Penso que os nomes de Einstein e Shakespeare sejam os nomes mais utilizados por aqueles que querem validar suas ideias sem muito esforço. 99% dos textos que recebemos atribuídos a essas duas criaturas NÃO são deles. São de autores menos conhecidos ou simplesmente escritos por desconhecidos. E o diálogo do vídeo é a mesma coisa. Para quem sabe inglês e quer mais detalhes sobre a verdade por trás do diálogo do vídeo, clique aqui.

Mas, isso não acontece só com textos de apologia religiosa. Nós vemos autores, autores famosos inclusive, como Richard Dawkins, dizer que Einstein era ateu. Será?

Particularmente, eu não entendo porque toda essa preocupação com o que Einstein acreditava ou deixava de acreditar. O que isso muda qualquer coisa??? Ele fazia bem o seu trabalho, se esforçava para ser um ser humano decente e útil, e isso que deve importar. Ele foi um cientista genial, mas isso não quer dizer que ele era perfeito ou saiba tudo.

Mas, já que por ter sido um físico genial a opinião dele parece pesar mais do que a de qualquer outro ser humano, é preciso dizer então que Einstein levava mais jeito para teísta…

Porém, ele não acreditava no Deus das Religiões. Naquele Deus que fica acompanhando a sua vida, vendo o que você faz de certo ou de errado, protegendo um país e não o outro, prefirindo uma religião e não a outra, “morando” em uma igreja e não na outra, punindo seres humanos pela sua ignorância e blá blá blá.

EINSTEIN NÃO ACREDITAVA OU CONCEBIA UM DEUS ANTROPOMÓRFICO

Portanto, nada de “Deus” da Bíblia como popularmente conhecemos… mas também nada de Ateísmo!

Pra evidenciar mais ainda o que estou dizendo, trago algumas declarações do próprio Einstein, publicadas na biografia escrita pelo amigo pessoal dele, Max Jammer (citado por Anthony Flew):

“Não sou ateísta e não acho que posso me chamar de panteísta. Estamos na situação de uma criança que entra em uma enorme biblioteca cheia de livros escritos em muitas línguas. A criança sabe que alguém escrevera aqueles livros, mas não sabe como. Não entende os idiomas nos quais eles foram escritos. Suspeita vagamente que os livros estão arranjados em uma ordem misteriosa, que ela não compreende. Isso, me parece, é a atitude dos seres humanos, até dos mais inteligentes, em relação a Deus. Vemos o universo maravilhosamente arranjado e obedecendo a certas leis, mas compreendemos essas leis apenas vagamente. Nossa mente limitada capta a força misteriosa que move as constelações.”

“Uma outra questão é a contestação da crença em um Deus personificado. Freud endossou essa ideia em sua última publicação. Eu próprio nunca assumiria tal tarefa, porque tal crença me parece preferível à falta de qualquer visão transcendental da vida, e imagino se seria possível dar-se, à maioria da humanidade, um meio mais sublime de satisfazer suas necessidades metafísicas.”


Em outras palavras, Einstein, nesta última citação, mesmo não acreditanto no Deus personificado das religiões, ainda acha melhor acreditar num Deus assim do que não acreditar em nada…

E Jammer conclui: “Resumindo, Einstein, como Maimônides e Spinoza, categoricamente rejeitava qualquer antropomorfismo no pensamento religioso.”

Jammer comenta inclusive que Einstein não gostava de ser visto como ateísta:

“Em uma conversa com o príncipe Hubertus de Lowenstein, ele declarou que ficava zangado com pessoas que não acreditavam em Deus e o citavam para corroborar suas ideias. Einstein repudiou o ateísmo porque nunca viu sua negação de um deus personificado como uma negação de Deus.”


E Einstein novamente declara:

“Quem quer que tenha passado pela intensa experiência de conhecer bem-sucedidos avanços nesta área (ciência) é movido por profunda reverência pela racionalidade que se manifesta em existência… a grandeza da razão encarnada em existência.”

“Todos os que seriamente se empenham na busca da ciência convencem-se de que as leis da natureza manifestam a existência de um espírito imensamente superior ao do homem, diante do qual nós, com nossos modestos poderes, devemos nos sentir humildes.”

“Minha religiosidade consiste de uma humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela nos pequenos detalhes que podemos perceber com nossa mente frágil. Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder racional superior, que é revelado no incompreensível universo, forma minha ideia de Deus.”



Postado por Karina em 26, agosto, 2011
Na Revista Digital Inconsciente Coletivo.Net
http://inconscientecoletivo.net/

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O homem espiritualizado é um visionário


Por Kadu Santoro


O artista, devido o seu próprio dom, tem a capacidade e a sensibilidade suficientes para poder enxergar sua obra prima ainda na pedra bruta. Ele contempla sua obra por todas as etapas, desde a inspiração inicial até o arremate final. Assim também foi com alguns homens bíblicos, quando Deus mandou Moisés enviar doze homens para espiar as terras de Canaã, apenas dois deles foram visionários, Josué e Calebe (Nm.13.1-33). Eles recusaram admitir a decisão da maioria mesmo arriscando suas próprias vidas com essa recusa, pois eles tinham plena confiança nas promessas de Deus para o seu povo escolhido. Estevão também foi um grande visionário, mesmo sendo brutalmente apedrejado, visualizava e contemplava o Reino de Deus com os céus abertos e o Filho do homem em pé à mão direita de Deus (At.7.55-56). Poderia continuar narrando sobre vários personagens bíblicos que foram verdadeiros visionários, porém, quero trazer esse tema para o contexto cristão da atualidade.

Na história da humanidade, o homem espiritualizado sempre foi um visionário, ele sempre enxergou mais longe do que os demais homens que só vivem de acordo com as realidades materiais mundanas. O normal das pessoas sempre foi enxergar superficialmente os seres, as coisas e os acontecimentos, reparando apenas as aparências. O homem espiritualizado possui um olhar especial, uma “visão de longo alcance”, uma espécie de sexto sentido, intuição, isto é, a fé e a sensibilidade que devem lhe proporcionar isso.

O verdadeiro modelo do “homem novo” deveria ser o cristão. Este, foi rigorosamente “re-criado” em Cristo. Como aconteceu com Nicodemos, quando Jesus lhe falou: “Em verdade, em verdade eu te digo, a menos que nasça de novo, ninguém poderá ver o Reino de Deus” (Jo.3.3). O homem espiritualizado é aquele que crendo que despertou sua consciência, “renasceu” para o amor e para uma “vida nova”: a vida sagrada e contemplativa. Após esse renascimento, o homem espiritualizado torna-se um visionário, passa a enxergar com os olhos da fé e crer nas realidades espirituais, conforme descrito no livro de Hebreus: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” (Hb. 11.1). O homem espiritualizado passa a participar do profetismo cotidiano. O profeta não é alguém que prediz o futuro, mas um “visionário”; alguém capaz de decifrar os acontecimentos à luz dos projetos de Deus.

O mundo está carente de pessoas assim, espiritualizadas e visionárias, pois a humanidade caminha sem objetivos, as religiões, na maioria das vezes só oferecem “dogmas e gaiolas” como opção de vida. Somente os visionários descobrirão para si e para o seu próximo o sentido profundo da vida. Serão os luzeiros do mundo.

Hoje em dia, muitos se dizem profetas, muitas vezes, eles proclamam por palavras ou gestos o que pensam, e não o que pela fé eles viram. O profeta visionário é aquele que no meio da comunidade, tendo aceitado passar pela morte a si mesmo, a seu “modo de ver as coisas”, sintoniza enfim com “a maneira de ver” de Deus. O homem visionário é aquele que não enxerga com os olhos do preconceito, da disputa, da arrogância e do autoritarismo, mas com o olhar da compreensão e do amor universal.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Do colapso financeiro ao colapso religioso global



Por Kadu Santoro


Um certo dia, ouvi uma frase que me chamou muito a atenção: O dia que acabar a fome e a miséria, também acabará a política e a religião. Fiquei com essa “quase profecia” em minha cabeça por vários dias. Depois de muito tempo, comecei a ruminar esse pensamento e a dialogar com ele dentro dos nossos dias. Como de costume, gosto de sair aos sábados pela manhã passeando pelo bairro, vou até a feira livre, converso com muitas pessoas, circulo as praças próximas de casa observando a movimentação da rua. De repente, um menino de uns nove anos, franzino no fim da feira me chamou a atenção, sentado com um caixa de papelão no colo no meio fio. Eu reparei nele um olhar perdido e desconfiado, então resolvi me aproximar e lhe perguntei qual era o seu nome, e ele respondeu que era Nicodemos. Oferecendo-lhe uma maçã, fiz outra pergunta: Você está vendendo alguma coisa aqui? Então ele me respondeu sorrateiramente: Ainda não tem nada moço! Interroguei-o: Como assim? Então ele me contou a situação, falou que ficava ali até o término da feira, na hora conhecida popularmente como a “hora da xepa”, onde os avarentos, os mais pobres e necessitados vem fazer suas compras, levando mercadorias inferiores, estragadas e remexidas por um preço bem mais baixo. Ele falou que esperava até o final da xepa para poder pegar os restos que eram rejeitados e jogados fora, como verduras, legumes e frutas. Depois de disputar o resto dos alimentos com os cachorros, colocava tudo em sua pequena caixa de papelão.

Aquele menino de corpinho franzino levava todo sábado aquela caixa de papelão com os restos da feira para sua casa. Depois desse trajeto todo que ele me contou, eu perguntei para ele, onde estavam seus pais e seus irmãos. E ele me respondeu que tem três irmãos, um está na cadeia por ter roubado latas de leite no supermercado, outro trabalha como entregador na farmácia, ganha um salário mínimo e usa para complementar seus estudos, e o último, encontra-se desempregado. Quanto aos pais, me disse que seu pai foi encostado pelo INSS por acidente de trabalho, pois trabalhava pesado com obras. Quando ele começou a falar de sua mãe, percebi que seus olhos brilhavam cheios de esperança. Disse que sua mãe todos os dias pela manhã tinha um compromisso muito importante, ia para a igreja da sua comunidade, “trabalhar na obra de Deus”. Então perguntei para ele: Enquanto você fica aqui a manhã inteira esperando as sobras de comidas para levar para sua casa, sua mãe fica na igreja trabalhando na obra de Deus? Pois é, o pastor falou pra ela que a obra de Deus deve estar em primeiro lugar, além disso, devemos dizimar com as primícias, não com os restos, e devemos possuir uma fé enorme para que possamos conseguir grandes milagres, como por exemplo, o carro luxuoso e a mansão que Deus lhe deu pela sua grande fé.

Depois desse diálogo com o menino, parei e comecei a analisar a situação. O pastor falou que a obra de Deus está em primeiro lugar, logo, o menino não precisa ir para a escola, dane-se tudo, a casa a família, etc. Se sua mãe está fazendo a obra de Deus, o menino pode muito bem ficar na feira e na porta dos mercados pegando restos de comida, e qual será o futuro desse menino? Em segundo lugar, se devemos dar o que temos de melhor como dízimo, então, os restos da xepa que o menino apanha pelas manhãs para alimentar sua família é maldito porque é resto? E pra encerrar o sermão medíocre e comum nos dias atuais, a fé desse povo é pequena. Segundo o pastor, deveria ser enorme para conseguir bençãos enormes. Então, Jesus mentiu para todos, porque ele dizia que se tivéssemos a fé do tamanho de um grão de mostarda, grandes coisas faríamos, além do mais, nunca vimos Jesus andando de carro luxuoso e nem morando em uma mansão estilo Mediterranné nas margens do mar da Galiléia.

Cheguei a conclusão que pelos mesmos motivos que o mundo está passando por um grande colapso financeiro, a religião também se encontra na mesma situação. Se você quer saber quais são esses motivos, leia o texto bíblico abaixo e veja se existem algumas semelhanças com os nossos dias.

“Ouvi a palavra do Senhor, vós filhos de Israel, porque o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra, porque nela não há verdade, nem amor, nem conhecimento de Deus. O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios.” Oséias 4.1-2

Parece até uma ironia, mas o nome do menino é Nicodemos, que vem do grego Νικόδημος, que significa: NIKE: Vencedor + DEMOS: Povo = POVO VENCEDOR. Realmente, quantos Nicodemos encontramos desamparados e rejeitados pelas ruas todos os dias? Já pensou nisso? São verdadeiros vencedores, pois aguentam toda essa pressão do sistema capitalista e pseudo-religioso.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Teólogo: um ser quase impossível


Por Leonardo Boff*


Muitos estranham o fato de que, sendo teólogo e filósofo de formação, me meta em assuntos, alheios a estas disciplinas como a ecologia, a política, o aquecimento global e outros. Eu sempre respondo: faço, sim, teologia pura, mas me ocupo também de outros temas exatamente porque sou teólogo. A tarefa do teólogo, já ensinava o maior deles, Tomás de Aquino, na primeira questão da Suma Teológica é: estudar Deus e sua revelação e, em seguida, todas as demais coisas “à luz de Deus”(sub ratione Dei), pois Ele é o princípio e o fim de tudo.

Portanto, cabe à teologia ocupar-se também de outras coisas que não Deus, desde que se faça “à luz de Deus”. Falar de Deus e ainda das coisas é uma tarefa quase irrealizável. A primeira: como falar de Deus se Ele não cabe em nenhum dicionário? A segunda, como refletir sobre todas as demais coisas, se os saberes sobre elas são tantos que ninguém individualmente pode dominá-los? Logicamente, não se trata de falar de economia com um economista ou de política como um político. Mas falar de tais matérias na perspectiva de Deus, o que pressupõe conhecer previamente estas realidades de forma critica e não ingênua, respeitando sua autonomia e acolhendo seus resultados mais seguros. Somente depois deste árduo labor, pode o teólogo se perguntar como elas ficam quando confrontadas com Deus? Como se encaixam numa visão mais transcendente da vida e da história?

Fazer teologia não é uma tarefa como qualquer outra como ver um filme ou ir ao teatro. É coisa seríssima pois se trabalha com a categoria ”Deus” que não é um objeto tangível como todos os demais. Por isso, é destituída de qualquer sentido, a busca da partícula “Deus” nos confins da matéria e no interior do “Campo Higgs”. Isso suporia que Deus seria parte do mundo. Desse Deus eu sou ateu. Ele seria um pedaço do mundo e não Deus. Faço minhas as palavras de um sutil teólogo franciscano, Duns Scotus (+1308) que escreveu:”Se Deus existe como as coisas existem, então Deus não existe”. Quer dizer, Deus não é da ordem das coisas que podem ser encontradas e descritas. É a Precondição e o Suporte para que estas coisas existam. Sem Ele as coisas teriam ficado no nada ou voltariam ao nada. Esta é a natureza de Deus: não ser coisa mas a Origem das coisas.

Aplico a Deus como Origem aquilo que os orientais aplicam à força que permite pensar:”a força pela qual o pensamento pensa, não pode ser pensada”. A Origem das coisas não pode ser coisa.

Como se depreende, é muito complicado fazer teologia. Henri Lacordaire (+1861), o grande orador francês, disse com razão:”O doutor católico é um homem quase impossível: pois tem de conhecer todo o depósito da fé e os atos do Papado e ainda o que São Paulo chama de os ‘elementos do mundo’, isto é tudo e tudo”. Lembremos o que asseverou René Descartes (+1650) no Discurso do Método, base do saber moderno:” se eu quisesse fazer teologia, era preciso ser mais que um homem”. E Erasmo de Roterdam (+1536), o grande sábio dos tempos da Reforma, observava:”existe algo de sobrehumano na profissão do teólogo”. Não nos admira que Martin Heidegger tenha dito que uma filosofia que não se confrontou com as questões da teologia, não chegou plenamente ainda a si mesma. Refiro isso não como automagnificacão da teologia mas como confissão de que sua tarefa é quase impraticável, coisa que sinto dia a dia.

Logicamente, há uma teologia que não merece este nome porque é preguiçosa e renuncia a pensar Deus. Apenas pensa o que os outros pensaram ou o que o que disseram os Papas.

Meu sentimento do mundo me diz que hoje a teologia enquanto teologia tem que proclamar aos gritos: temos que preservar a natureza e harmonizarmo-nos com o universo, porque eles são o grande livro que Deus nos entregou. Lá se encontra o que Ele nos quer dizer. Porque desaprendemos a ler este livro, nos deu outro, as Escrituras, cristãs e de outros povos, para que reaprendêssemos a ler o livro da natureza. Hoje ela está sendo devastada. E com isso destruímos nosso acesso à revelação de Deus. Temos pois que falar da natureza e do mundo à luz de Deus e da razão. Sem a natureza e o mundo preservados, os livros sagrados perderiam seu significado que é reensinarmos a ler a natureza e o mundo. O discurso teológico tem, pois, o seu lugar junto com os demais discursos.



* Leonardo Boff é teólogo e autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística, entre eles “Nossa Ressurreição na Morte” (Vozes, 2007). A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos.



Visite o site:
www.leonardoboff.com

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Programa Despertar TV

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Caros amigos e colaboradores do Jornal Despertar,

É com imensa satisfação que venho apresentar para vocês a mais nova etapa do nosso Jornal Despertar. Em Dezembro estaremos dando início ao Programa Despertar TV. Um programa de debates e entrevistas que irá ao ar inicialmente uma vez por mês, contando com a participação de convidados e dos internautas, que poderão interagir conosco ao vivo pelo chat do canal de transmissão fazendo perguntas e mandando suas opiniões.

O Programa Despertar TV, será transmitido ao vivo pela web através do sistema USTREAM de transmissão, o nosso canal será: http://www.ustream.tv/channel/jornal-despertar. Todos os programas serão previamente comunicados aqui no nosso blog, para que todos possam programar-se para assistirem. Os programas irão ao ar sempre aos sábados pela parte da tarde (ainda não temos os horários definidos), com duração de uma hora e meia (1:30h). Cada programa será dedicado a dois temas escolhidos ao longo da semana.

Considerando o perfil do nosso público alvo, vamos trabalhar com os seguintes assuntos:

1º) Religiosidade e Espiritualidade
2º) Filosofia e História
3º) Terapias Alternativas
4º) Movimentos Holísticos
5º) Ecologia e sustentabilidade
6º) Panorama Científico
7º) Saúde e Bem Estar
8º) Enfoque Cultural

Aguaradem, em breve estaremos inaugurando nosso novo projeto. Enquanto isso, vocês podem continuar acessando o nosso Jornal Despertar diariamente, acompanhando as novidades. Estamos abertos a sugestões. Para maiores informações use nosso e-mail: blogdespertar@yahoo.com.br.


Um forte abraço,

Kadu Santoro