
Assim chamo a experiência vivida pelo apóstolo Paulo durante a sua conversão a caminho de Damasco. Imagine como estava a cabeça deste homem, diante de um judaísmo em crise existencial e plena opressão romana. Naquele período existiam vários grupos e facções religiosas, porém todas elas viviam uma tensão a espera do messias e do livramento do julgo romano. Ele era um Fariseu e observante das Leis mosaicas, e também vivia num ambiente helenizado, onde a filosofia grega era muito influente na diáspora.
O acontecimento Jesus, mexeu com toda a estrutura daquele tempo, podemos considerar, que Jesus estabeleceu naquele época uma NOVA ORDEM MUNDIAL. A mensagem pregada por Jesus, apesar de ter como base o antigo testamento, passou a promover uma grande transformação na sua praxis, foi de encontro com todo o idealismo dos partidos judaicos, a espera pelo livramento daquele povo e a salvação da mão dos opressores, já não era algo externo, e sim, uma iniciativa interna, que devia brotar dentro do coração de cada pessoa, uma verdadeira mudança de mentalidade (metanóia) e consciência que Jesus chamou de Reino de Deus.
Essas mudanças de paradigmas, mexeram completamente com a cabeça daquele povo, principalmente de Paulo, aquele perseguidor implacável de cristãos, que derrepente viu-se abalado com a nova mensagem pregada pelos seguidores do nazareno. A cegueira daquele homem, é uma representação metafórica, que simboliza, que diante de uma grande ameaça, todos nós ficamos cegos, mas vai mais além disso, Paulo, como um bom fariseu, durante suas perseguições aos cristãos, deve ter tido contato com a comunidade essênia, situada em Qunram, e ali teve contato direto com os chamados Documentos de Damasco, que tinha esse nome, devido a existência de um local com esse nome, igual ao da cidade de Damasco na Síria, mas era localizada no deserto. Neste documento, encontrava-se várias regras da comunidade essência, desde textos relacionados a regras de guerra, conduta e hierarquia da comunidade e textos apocalípticos.
Tudo isso tem um papel fundamental na leitura e interpretação do Novo Testamento. O Professor R. Eisenman (California State University), que acredita na identidade, ou pelo menos numa estrita parentela, entre a comunidade de Qumran e o movimento judeu-cristão primitivo, afirma que o famoso trecho dos Atos dos Apóstolos no qual Paulo é enviado a Damasco pelo sumo sacerdote em busca de cristãos para prendê-los, tenha que ser completamente reinterpretada, entendendo com Damasco não a célebre cidade da Síria, mas este sitio de Qumran.
Essa metáfora vivida por Paulo, também é vivida por nós hoje em dia, diante de tantos problemas, crises e tribulações. Chegamos a ponto de perder o nosso referencial e acabamos entrando em profunda depressão e crise existencial. O mau do século é a depressão e a ansiedade, isso nos leva a ficar cegos metaforicamente, não vemos a luz no final do túnel, e a cada dia que passa, parece que as coisas vão piorando. Porém, a NOVA ORDEM MUNDIAL estabelecida por Jesus, de um reino de paz e justiça, nunca vigorou, pois o que veio na frente de sua mensagem, foi a instituição igreja, que acabou por cegar e formatar mais ainda seus seguidores.
Kadu Santoro