quarta-feira, 7 de junho de 2017

A interpretação cabalística da jornada espiritual de Abraão


Por Kadu Santoro

Segundo a narrativa mítico simbólica do Antigo Testamento em Gênesis, Abraão teria se dirigido “de Ur na Caldéia para a Terra Santa, distante de Haran”. Pois bem, na verdade ele estava aspirando à vida espiritual, remetendo quando alguém desperta a sua consciência e decide empenhar-se a conhecer a si mesmo, além disso, ele levara um conjunto de almas consigo, duplicando desse modo o efeito de seu próprio empenho, pois aquele que coloca o seu próximo no caminho da busca pela espiritualidade, sempre colhe os benefícios de seu mérito também. Como resultado de suas encarnações anteriores, as almas elevadas de Haran tiveram a permissão de acompanhá-lo nesse jornada interior da alma. Modelo arquetípico para todos os aspirantes à Sabedoria Divina, Abraão primeiro desceu ao Egito (mundo material de Assiah, onde impera o desejo, o ego e toda forma de ambição), provando as profundezas da experiência mundana antes de começar a escalar a Árvore da Vida.

Ao contrário de Adão e Noé, onde o primeiro tomara precipitadamente a sabedoria e o segundo se embebedara com ela, Abraão foi o primeiro habitante dos abismos do mundo a merecê-la quando deles emergiu, unindo definitivamente a sua mente e o seu coração à sephira da Sabedoria (Chokmah).

A árdua jornada espiritual de Abraão, relatada nas lendas exotéricas de suas peregrinações e das provas a que fora submetido por “Deus”, terminara quando ele atingiu o nível de iluminação denominado Sabedoria. Para designar sua realização, uma letra do nome divino foi acrescentada ao seu, Abrão tronou-se Abraão, mais um Aleph como marca de sua ascensão espiritual.

Sua “entrada na Terra Santa” corresponde à “construção de um altar” em cada esfera ao longo da jornada pela Árvore da Vida, ou seja, deixar uma parte de si mesmo para trás em cada uma delas, até estar suficientemente esvaziado para ser preenchido pela Sabedoria. Esse processo de desconstrução é necessário para a evolução rumo ao Uno, libertando-se de toda forma de desejo, de crenças e apego ao plano denso de Malchuth.

Um cabalista deve se encontrar preparado para atravessar as esferas estabilizando os elementos físicos dentro de si. Só um homem perfeitamente equilibrado em seus três centros constitutivos (instintivo – Nephesh / Emocional – Ruach / Intelectual – Neshamah) é capaz de sobreviver às provas simbólicas de fé suportadas por Abraão. Onde o patriarca simbolizara a Sabedoria, tendo como exemplo o seu filho Isaac, suportado a mais alta prova sacrificial, ou seja, a possibilidade da morte do novo, a esperança que é sustentada pelo apego e pelo desejo, tornando-se assim a representação cabalística do julgamento (Geburah), e por outro lado, Jacó tipifica o patriarca prudente, sendo representado como o símbolo da beleza (Tiphareh). Da mesma maneira, poderíamos dizer que cada esfera patriarcal poderia ser contemplada como um membro específico do corpo cósmico, uma letra ou um som do Nome Sagrado, uma cor, uma luz, uma forma geométrica, etc. Mesmo os “sacrifícios sacerdotais no Templo” representam alegoricamente emblemas para contemplação.

O perfume do incenso em torno do altar dos sacrifícios provocava uma contração no nariz, e esse penetrava até o cérebro, acalmando e suavizando os pensamentos provocando assim uma sensação agradável. Contrariamente à leitura comum, literal do Deuteronômio, a interpretação do Rabino Simeon ao “aroma do apaziguamento” não se refere às oferendas queimadas para aplacar um Deus irado e perpetuamente colérico, mas considerava o “incenso” como uma ajuda para reduzir a própria “cólera” e restabelecer a calma à agitada mente humana, permitindo a entrada da alegria e da iluminação. Logo, a fumaça que se eleva do altar simbólico do templo do corpo, condensa, portanto, o “fogo da cólera até ocorrer uma reconciliação, um apaziguamento do espírito, um regozijo universal, uma radiância de luzes, um resplandecimento das faces.”

A alegoria da oferenda diária de vinho no altar do Templo, simboliza cabalisticamente o espírito de alegria do místico quando iniciava sua meditação. O processo de “acender as lâmpadas”, significa iluminar a centelha divina (Neshamah) dentro de si. A palavra Isra-el, significa o coração humano (Lev); “Terra Santa” era o estado de iluminação, enquanto Egito era o veneno perturbador do mundo sensorial. Mesmo a construção do Templo era análoga à expansão do espírito dentro do corpo. Com esse objetivo, o Rabino Simeon explanou sobre o perene “espírito da vida” que é “exalado” por Deus, e recolhido pelo homem na garganta. No estado de meditação e atenção plena, o homem é capaz de acumular conscientemente o “Espírito da Vida” e transformá-lo em “energia divina” – Elohim Hayim”, o “Deus Vivo”. Nesse ponto a energia divina compele os quatro elementos formativos (terra, fogo, água e ar) de volta a seu estado mais simples, reduzindo desse modo o pensamento a som puro (vibração). Nessa condição suspensa, corpo e mente estão de tal modo imóveis que o cabalista torna-se nesse momento um canal vazio vibrando com energia divina. Esse estágio podemos chamar alegoricamente de “a Casa sendo construída”, indica que esse indivíduo transcendera as percepções limitadas impostas ao homem através da mente racional intelectual. A listagem alegórica dos materiais e medidas cuidadosamente definidas para a construção do Templo de Salomão não passam de um exercício inspirador mental, através do qual o homem poderia antever seu próprio aprimoramento e perfeição.

Moisés, imobilizara seus pensamentos e purificara seu corpo de forma tão profunda que instantaneamente percebeu e submeteu-se a Deus (Kheter – Coroa). A narrativa alegórica de Moisés nos diz que ele vislumbrou a Terra Prometida de Canaã, porém não entrou, isso significa cabalisticamente que ele atingiu um nível muito elevado e logo, não poderia tomar posse a essa “Terra Prometida” com um corpo material densificado como o nosso, e sim, ascendera a um nível mais elevado de vibrações sutis (Yechidah). No caso de Jacó, esse não conseguiu apartar-se inteiramente das ansiedades em relação à sua “família terrena”, e por isso atingiu um grau menor de iluminação (Tiphareth – Beleza). De modo oposto, os que sofreram os efeitos de uma mente puramente racional construíram para si uma “torre de babel” e nela ficaram presos em suas convicções.

O Zohar (Livro do Explendor) enfatiza repetidamente a unidade da palavra, do pensamento e da energia, ou seja, os três atributos constitutivos do universo – luz, som e movimento, logo, ligar-se em estados de consciência elevados, ao som da santidade (como por exemplo no pronunciamento do Shemá) significa na verdade ligar-se à sua essência. As narrativas míticas e emblemáticas dos patriarcas, do mesmo modo que as esferas que eles representam, podem ser reduzidas ainda mais até o nível semântico das letras do “Nome de Deus”. O mapa da consciência do autor do Zohar, vai além da esfera da Sabedoria e abrange toda a criação.

Verdadeiramente, tudo o que Deus faz no mundo é um emblema da Sabedoria divina... Ademais, todos os trabalhos de Deus são os caminhos da Torah... e nem uma única palavra está contida nela que não seja uma indicação dos muitos caminhos e trilhas e mistérios da Sabedoria divina... Cada incidente registrado na Torah contém uma multidão de significados profundos, e cada palavra em si é uma expressão da Sabedoria e da doutrina da verdade.

Uma vez que todo o universo criado – como é apresentado segundo os atributos divinos da Árvore da Vida – poderia em qualquer momento oferecer ao cabalista uma chave hermenêutica para uma meditação profunda em nível de Sod. Seus meios eram tão complexos e inumeráveis como a miríade de coisas criadas em volta e dentro dele. Logo, o que poderia ele esperar ver quando iniciava sua ascenção da divindade ruma à unidade, abarcada pelo primeiro ponto místico da letra Yod dentro da esfera da Coroa? Segundo o autor do Zohar, em profundo estado de contemplação, as esferas revelam-se contidas uma dentro da outra como camadas de uma cebola, “cérebro dentro de cérebro e espírito dentro de espírito.” O que os mestres anteriores da Merkabah chamavam de hekhalot, ou metaforicamente “muralhas do palácio de Deus”, na realidade eram, segundo ele, extensões do ponto primordial da Coroa que é incógnito e não pode ser compreendido através da nossa lógica racional humana. Isso que é chamado de “palácio”, funciona como um manto protetor para essa luz primordial, com o efeito de diminuir seu brilho para que seja possível aos humanos poderem ver (esse conceito tem influências diretas do Mito da Caverna de Platão) e compreender, e esse também é o sentido cabalístico do texto de João 1.1-14, onde o estado crístico de iluminação desce até o Reino (mundo densificado – Malkhuth) e ainda assim poucos são aqueles capazes de receber tais conhecimentos, entre esses poucos, são aqueles do qual fala os evangelhos, muitos os chamados e poucos os escolhidos, ou também a menção sobre a porta estreita e caminho apertado, que significa o caminho para dentro de si, duro de ficar frente a frente consigo mesmo e reconhecer aquilo que precisa ser transformado. O primeiro “vestíbulo” contém um outro e assim sucessivamente, cada “vestíbulo” descendente criando membrana de qualidades para o que precede. De modo a atingir a luz definitiva, o cabalista procura estudar a Torah contemplando as suas letras num estado de êxtase, aberto a intuição e os insights vindos da luz.

Dizia o autor do Zohar: “Quando eu rezo, levanto minhas mãos para o alto, pois quando minha mente está concentrada no mais elevado, existe o mais superior ainda que nunca pode ser conhecido ou apreendido, o ponto inicial que é absolutamente oculto, que produziu o que produziu permanecendo incognoscível, e irradiou o que irradiou permanecendo irrevelado.

Após essa descrição do autor do Zohar, ele recomendava procurar visualizar a primeira emanação desse ponto de luz, também chamado de “fragmento do Absoluto”, onde esse se tornaria o primeiro dos “vestíbulos” compreensíveis à mente humana, a esfera da Sabedoria. A tensão da concentração nesse alto nível, porém, seria grande demais se a luz não fosse obscurecida, e essa é a função da segunda membrana ou segundo “vestíbulo”, a esfera chamada Entendimento. Após essas, emanam fragmentos ainda mais sutis oriundas da luz primordial, que o autor recomenda que se use como uma escada (A escada de Jacó) para um outro nível de ascensão contemplativa rumo a Coroa.

Logo, podemos concluir que todas as narrativas bíblicas em especial a dos patriarcas, guardam em segredo a sua essência na linguagem do Sod, ou também chamado a linguagem dos ramos, utilizando-se de metáforas e alegorias para despertar a curiosidade daqueles que a leêm, provocando questionamentos e dúvidas levando assim para níveis mais profundos de relacionamento com a luz primordial, caso contrário, aqueles que viverem conformados e acreditando nas narrativas de forma literal, ficarão estagnados e não conseguirão evoluir para o grande salto quântico e passar para uma dimensão mais sutil, continuarão em Malkhuth sujeito a roda das encarnações até que em uma de delas o ser desperte sua consciência e não se sinta mais satisfeito com os deleites desse mundo ilusório, efêmero e passageiro.

Referências:
EPSTEIN, Pearle – CABALA – O caminho da Mística Judaica – Ed. Pensamento – SP – 1978
ZUKERWAR, Chaim David – As 3 Dimensões da Kabalá – Essência, Infinito e Alma – Ed. Sêfer – SP – 1997

REISLER, Leo – KABBALAH – A Árvore da sua vida – Ed. Nórdica – RJ - 1996

domingo, 7 de maio de 2017

A LINGUAGEM DO CORPO SEGUNDO A ÁRVORE DA VIDA

Por Kadu Santoro
Segundo a tradição cabalística, a Árvore da Vida representa o nosso corpo na dimensão microcósmica, com todas as suas respectivas partes compostas pelos quatro centros formativos ou mundos segundo a Árvore da Vida (Atzilut, Briah, Ietzirah e Assiah), ou instintivo e/ou motor, emocional, intelectual e espiritual. Pois bem, o conceito de saúde dentro deste contexto significa a integração harmoniosa entre esses quatro centros, caso contrário, em desarmonia, são geradas as doenças, que na verdade nada mais são do que sintomas de uma má realação dos centros que começam a se manifestar no plano etéreo até que chegue ao plano físico.
Quando os sintomas se manifestam no plano físico, eles nos fornecem informações valiosas sobre o mau funcionamento da Árvore da Vida, ou seja, são sinais de que há áreas em nossa máquina humana que não encontram-se em estado de harmonia e por isso, as dores nos dizem muita coisa. É através delas que podemos identificar em que áreas de nossa vida precisa ser corrigida e receber a devida atenção.
Segue abaixo alguns dos principais sintomas e suas correspondências com a nossa forma de viver:
1.   Dores musculares: Quando não é identificada como o excesso de esforço físico e exaustão, pode nos revelar dificuldades na aceitação de mudanças, pois a rigidez perante a vida pode causar essas tensões nos músculos, onde é preciso procurar se adaptar às novas situações.
2.  Dores de Cabeça (Encefaléias) as tensões em função do excesso de pensamentos relacionados à decisões a tomar provocam grande dose de estresse mental, e aí vem as encefaléias. É preciso relaxar e deixar a mente mais leve, e para isso uma grande e eficaz ferramenta é a meditação;
3.    Dores de Garganta: Esta está muito relacionada com a dificuldade de perdoar tanto aos outros quanto a si mesmo, também pode ser sinal de uma repressão grande interior, onde o indivíduo encontra-se tolido de falar e se expressar como queria, ou seja, “engolindo muito sapo”. Para essa questão é muito importante buscar se comunicar e refletir mais sobre o amor e a compaixão;
4.   Dores nas gengivas: Muito relacionada com a dificuldade de tomar decisões e com a questão da tolerância em relação às situações na vida. Esse sintoma pode levar a espasmos nos músculos da face devido ao alto grau de estresse localizado nessa parte. É preciso ter mais paciência em relação as decisões e não entrar em rota de colisão com as dificuldades no meio do caminho, pois elas são na verdade, oportunidades de crescimento e aprendizado;
5.   Dores nos ombros: Representa grande sobrecarga emocional, relacionado com o Deus Altas da mitologia grega, aquele que carrega o mundo nas costas, ou seja, acumula problemas de várias ordens que repercute diretamente no centro emocional. Procure não carregar todo o peso sozinho, seja menos exigente consigo mesmo e não acumule problemas, antes procure distribuí-los e resolvê-los;
6.    Dores de estômago: Quando não associada a uma má alimentação, é sinal de que você não está conseguindo “digerir” bem certas questões em sua vida, e isso produz muita tensão e desconforto nesse área do seu corpo. Procure não ficar remoendo muito certas questões, relaxe e saiba que o tempo tem a solução e as respostas para todas as coisas;
7.  Dores na parte superior das costas: Está relacionada com problemas de natureza emocional, tristeza, angústia, etc. É necessário compartilhar com alguém esses sentimentos, assim como as alegrias, essas que ajudam a reverter esse processo;
8.    Dores na região lombar: Sinal de que a saúde financeira anda mal, ou seja, problemas e preocupações relacionados com a falta de dinheiro ou de ajuda nesse sentido. É preciso adicionar boas doses de otimismo e esperança nessa questão, lembrando que embora o dinheiro seja importante para a manutenção das necessidades, ele não traz a felicidade em si;
9.   Dores na região do sacro e do cóccix: Relacionada com questões da qual você precisa resolver e está por procrastinar, ignorando-as. É um sinal de que é preciso parar e pensar bem sobre essas questões que encontram-se pendentes em sua vida. Uma boa dica, é traçar um cronograma priorizando essas questões pendentes;
10.  Dores no cotovelo: é uma outra parte do corpo totalmente relacionada com a rigidez e resistência às mudanças. Daí a expressão popular, “dor de cotovelo”, que também está associada à arrependimentos e frustrações. É preciso estar presente no agora, evitar ficar olhando para trás remoendo o passado e chorando sobre o leite derramado. Procure liberar a sua mente de todos os sistemas de crenças limitantes;
11. Dores nos braços: Essa dor é sinal de que o peso de carregar algo ou alguém nos consome muita energia física e emocional. Reflita se é realmente necessário que você tenha que carregar tudo sozinho nos braços. Aprenda a distribuir as tarefas com aqueles que estão ao seu redor e livre-se da crença de que se você não fizer, outro não fará, pois se alguma coisa tem que ser feita, será, seja lá por quem for. Alivie o peso dos seus braços, ocupe-os com atividades artísticas como pintura, dança, etc;
12.  Dores nas mãos: É um sinal de que você não está bem conectado e interagindo bem com as pessoas ao seu redor. Sinal de rigidez e dificuldade de abertura para outras possibilidades. Procure se relacionar mais, fazer novas amizades e estreitar laços com aqueles que são mais antigos;
13. Dores nos quadris: Sinal de medo de se mobilizar e agir, sentindo-se preso a velhas crenças e convicções. Isso pode resultar em dores nessa região. Procure observar novas possibilidades, mude um pouco às rotinas e tente estabelecer novos mecanismos de ação, isso lhe proporcionará alívio e sensação de que está vivo e operante;
14. Dores nas articulações: excesso de rigidez, dificuldade de escutar os outros, inflexibilidade em relação às questões da vida e com as pessoas do seu convívio, dificuldade de perdoar e abrir mão de certas questões que não necessitam de tanta rigidez. Procure relaxar em todos os sentidos não levando a vida tão a sério, caso contrário virão às artrites e artroses;
15.  Dores nos joelhos: Excesso de orgulho e vaidade, procure ser mais humilde e saber lhe dar com as diferenças e circunstâncias. É preciso saber que todos estamos aqui nesse mundo para aprendermos uns com os outros e que o homem não é uma ilha e muito menos que você é o umbigo do mundo. Procure ter menos razão e ser mais feliz;
16.  Dores de dente: Pensamentos negativos e baixa autoestima. É preciso ter mais fé, confiar que tudo está sobre o controle da Luz. Procure olhar o lado positivo das coisas e saber que tudo acontece na hora que tem que acontecer;
17. Dores no tornozelo: Falta de tolerância consigo mesmo, excesso de perfec cionismo. Permita-se ser feliz como você é e não se cobre tanto. Procure dar mais atenção às partes do seu corpo com toques e massagens nessa área;
18.  Dores crônicas por todo o corpo: Produto de um psicossomatismo generalizado, energias estagnadas do seu corpo, produzindo fibromialgias entre outras doenças de dores crônicas. Procure viver novas experiências, lembre-se de que você é composto de quase 80% de água, e essa, se represada pode apodrecer, evaporar ou estourar as estruturas, evite que isso aconteça e busque estar renovando-se sempre, livre-se do tédio.
19. Dores nos pés: Medo de progredir, caminhar, sentimento de insegurança e falta de equilíbrio emocional. Busque mais contato com a natureza, pé na terra, abrace as árvores, adote um animalzinho de estimação e ponha um fim à vida deprimida. Não permita que os pensamentos negativos façam ninhos em sua cabeça impedindo você de voar;
20.  Dores na alma: Essas são as piores, pois é muito difícil achar as causas, é necessário um grande esforço e disciplina em busca da espiritualidade, de buscar o seu verdadeiro Ser, pois essa é que será a solução para todos esses males acima. A pergunta fundamental que deve ser feita para dar início ao processo de cura é: “Quem sou eu?”

A Terapia Cabalística oferece o conhecimento e as ferramentas necessárias para o despertar e a harmonia dos nossos quatro centros, porém, o êxito dependerá única e exclusivamente do desenvolvimento do autoconhecimento, caso contrário, depois de um certo tempo tudo voltará ao que era antes. É preciso muita dedicação e amor consigo mesmo e estar aberto para a voz interior.

sábado, 1 de abril de 2017

Quais os benefícios da Cabala?


Por Kadu Santoro

Ultimamente, um número considerável de pessoas tem me perguntado a respeito dos benefícios que a Cabala pode nos oferecer. Para começar a responder sobre essa questão, é preciso deixar bem claro o que a Cabala não é, pois assim ficará mais fácil enumerar o que ela pode acrescentar em nossas vidas. A Cabala não é misticismo no sentido de coisas sobrenaturais e ocultismos (embora a tradição cabalística foi confiada à poucos iniciados ao longo da história, logo ficou oculta para a grande parte da população que não se encontrava desperta para acessar tais conhecimentos), nem religião, embora um cabalista autêntico é um místico por natureza em função de ter passado pela experiência do despertar da consciência e ter ciência do mundo espiritual, e os arquétipos fundantes da Cabala encontram-se presentes no background de todas as religiões do mundo. A Cabala não pertence ao judeus e também não é exclusividade de nenhum povo em especial, pois seus princípios arquetípicos se encontram em todas as culturas desde as épocas mais remotas da antiguidade. A Cabala também não é mágica, pois seu foco encontra-se no conhecimento relacional do microcosmos (homem) com o macrocosmos (universos), logo, é um sistema voltado para o autoconhecimento das coisas visíveis e invisíveis, proporcionando ao homem a possibilidade de reconstrução do seu Ser Primordial (Adam Kadmon), ou seja, reconhecer que sua essência é imortal e divina, assim, retornar ao seu “estado paradisíaco”. A Cabala Autêntica, também chamada Cabala Primordial, não tem em seu escopo de ensinamentos práticas supersticiosas e nem crendices religiosas como utilização de fitinhas vermelhas, pantáculos, invocações de círculos mágicos, acompanhamentos lunares, filactérios, símbolos de proteção, jejuns e feriados, orações e rezas poderosas, pois isso tudo faz parte da religiosidade judaica, e não dos princípios cabalísticos. Outra coisa importante, é que todos sem exceção, ao contrário do que os judeus dizem (só poder estudar Cabala a partir dos 40 anos, ser casado e possuir filhos, etc.), podem estudar a Cabala, basta ter um grande sentimento e vontade interior de estar em contato com esses ensinamentos e querer saber sobre o significado da vida.

Agora que já vimos acima tudo o que não corresponde a Cabala, vamos falar do seu poder terapêutico com seus benefícios. O primeiro benefício que a Cabala nos proporciona, é a recordação da situação em que nos encontramos, num estado de sono, e que é preciso despertarmos para uma realidade superior através da lembrança de Si e sua relação com o universo, ou melhor, com a fonte de luz primordial, pois vivemos no mundo do 1% e precisamos aprender a nos conectar com o mundo dos 99%, onde passamos a ter acesso aos arquivos akáshicos, o grande HD cósmico, onde tudo encontra-se registrado e acessível a todo momento àqueles que o acessam. Outro aspecto positivo da Cabala, é que seus ensinamentos capacitam você para uma mudança considerável de vida, mais positiva, eliminando padrões repetitivos e sistemas de crenças limitantes. A Cabala também nos oferece a poderosa ferramenta da meditação, com o intuito de apaziguar a nossa mente inquieta, proporcionando o despertar das faculdades intuitivas e nos trazer para a atenção plena, aumentando o nosso poder de raciocínio, memória e criatividade. A partir desse processo de despertar, você passa a ter uma percepção expandida dos diferentes níveis de realidade, inclusive restabelecendo a percepção metafísica. Outro benefício da Cabala, é a harmonização do seu Ser (individuação) com o Cosmos (totalidade), despertando dentro de si o desejo de receber luz duradoura com o intuito de compartilhar, ou seja, você passa a ser uma pessoa muito mais generosa e misericordiosa perante o mundo, de forma que a sua luz atrairá padrões vibratórios elevados para você e aqueles que encontram ao seu redor. Agora em um nível mais elevado, a Cabala tem o poder de ativar o nosso DNA metafísico proporcionando a eliminação do caos em nossa vida pessoal.


Em síntese, a sua evolução através da Cabala, dependerá exclusivamente de você, do seu interesse sincero, sua disciplina em cima dos estudos e práticas direcionadas e da sua relação consigo mesmo através da maior ferramenta cabalística que é o autoconhecimento, ou seja, quanto mais você se empreender a conhecer a si mesmo, assumindo todas as responsabilidades pela sua existência, não culpando ninguém e suspendendo o juízo, apenas observando o processo, logo você estará vivendo em um novo padrão vibratório, como Jesus disse: Eu e o Pai Somos Um, ou quem vê a mim, vê ao Pai.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Entender a Árvore da Vida consiste em entendermos a nós mesmos.


Por Kadu Santoro

Entender a Árvore da Vida equivale a entendermos a nós mesmos, pois esse sistema gráfico arquetípico é a representação do ser humano em sua plenitude. Poderíamos dizer que é a imagem do divino refletida em nós, a relação do universo (macrocosmo) com o ser humano (microcosmo). Segundo a Qabalah, é o reflexo de Adam Kadmon, o homem perfeito em seu estado primordial.

Segundo a tradição cabalística, ao estudarmos a Árvore da Vida, devemos enxergar essa como a nossa condição a qual devemos atingir, um estado de plenitude e evolução através da Pistis (Conhecimento) Sophia (Sabedoria), que os gnósticos cabalistas representam como o átomo centelha espírito que habita em nós. Uma fagulha que encontra-se acessa dentro de todo ser humano, e que deve ser intensificada através dos estudos da Cabala. Logo, o objetivo do estudo da Qabalah, é nos conduzir a um padrão vibratório mais sutil e elevado, nos proporcionando através do autoconhecimento um despertar da consciência, de forma que ao encaramos os obstáculos da vida, passamos a ter uma postura mais equilibrada e serena, tendo entendimento de tudo o que acontece e que nada acontece por acaso, como dizia Albert Einstein: “Deus não joga dados.”

Esse é o maior objetivo que o estudo da Cabala pode nos proporcionar, um maior conhecimento sobre a tríplice pergunta feita por quase toda a humanidade: De onde vim, aonde estou e para onde vou. E a partir desse início de questionamento, a Cabala oferece-nos ferramentas e subsídios poderosos para essa maior compreensão de si mesmo e do universo.

Por isso que a Cabala esteve fechada a muitos por longo tempo, pois a humanidade ainda não se encontrava apta para tais questionamentos, apenas uns poucos iniciados que tinham acesso a essas informações, e agora, rumando para a segunda década desse milênio, da era de aquário, todos os portais estão abertos, e cabe a cada um perceber que agora é o melhor momento para fazermos o salto quântico, ou seja, passarmos de um nível limitante e exterior, regido pelas religiões, superstições e crendices, para um nível mais elevado de consciência, esse que nenhuma religião de antigamente e de hoje podem mais nos dar respostas, pois segundo a Cabala, tudo se encontra dentro de nós, como dizia Jesus O Cristo: “Eu e o Pai somos Um” e “quem vê a mim, vê ao Pai.

Apesar desse período cósmico de abertura dos portais ascensionais, ainda há muitos aproveitadores, utilizando-se das informações Cabalísticas para seus próprios interesses como um verdadeiro comércio (Cabala disso, Cabala daquilo, etc), utilizando-se ainda de elementos sincréticos e superstições da era das religiões, que ao invés de conduzirmos  a nós para o caminho interior, jogam-nos para fora como as religiões sempre fizeram no passado e até agora.

Aproveitem esse momento de abertura do conhecimento Cabalístico para fazerem o grande salto quântico e mergulhem de cabeça nessa jornada interior, pois fora, é como diz o pregador do livro de Eclesiastes (Qoélet) no capítulo 1: “Não há nada novo debaixo do sol.


Kadu Santoro é Teólogo, Escritor, Consultor em Espiritualidade, Palestrante, Prof. de Qabalah, Terapeuta da Alma, Esoterista e Pesquisador das Ciências da Religião.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O princípio trinitário segundo a Kabbalah.


Por Kadu Santoro

A trindade é o princípio primordial para a criação de toda a existência, pois sem os três aspectos: criador, mantenedor e transformador, não poderia haver existência. A Árvore da Vida é composta por três trindades, também chamada de trigrammaton, lembrando que o Três é Um e esse Um encontra-se no três, estabelecendo assim uma unidade ternária. Para Pitágoras, o número três consistia na primeira figura geométrica, pois era composta por comprimento, profundidade e largura, simbolizada pela figura do triângulo.

A trindade expressa o princípio subjacente ao pleno equilíbrio das leis imutáveis do universo, pois sem esse equilíbrio, não teríamos o cosmos, e sim o caos estabelecido. Portanto, segundo a Cabala, o princípio do equilíbrio nunca é, e nem deve ser permanente, pois tudo encontra-se dentro dos três princípios falados no parágrafo acima: criador, mantenedor e transformador, logo tudo está em constante movimento e transformação. Esse equilíbrio é estabelecido através da reconciliação de ordens conflitantes, pois na Cabala, os opostos são complementares, e por essa razão, no plano físico, os conflitos de ordem exterior e interior do Ser são indispensáveis para que haja evolução e consciência, pois sem o bem, não saberíamos o que é o mau e vice versa. Não pode haver paz e nem harmonia sem que haja o equilíbrio entre os opostos, e esse ponto de equilíbrio é formado pelo terceiro elemento, estabelecendo assim a chamada Lei de 3, formada pelos polos positivo, negativo e neutro. Quando a dualidade se unifica à unidade e a diversidade torna-se igualdade, aí se estabelece o princípio harmônico. O princípio triúno, ou seja a unidade indivisa da trindade, consiste na união equilibrada de dois contrários iniciais por intermédio de um terceiro unificador.

A Árvore da Vida em seu diagrama nos revela a compreensão da natureza trina, através das suas três tríades com suas relações dinâmicas e seus poderes iguais, proporcionando harmonia e progresso nos processos mantenedores e transformadores do universo. O primeiro poder da trindade é o masculino positivo, de caráter estimulante e criativo; o segundo poder é de caráter feminino, receptivo e gerador; e o terceiro poder o neutro, que tem o atributo de estabelecer equilíbrio à dualidade. A dinâmica da trindade funciona da seguinte maneira, o primeiro poder, a força masculina é atraída pelo segundo poder, a força feminina que em seguida se unifica através da tensão entre ambos, logo, a energia liberada produz o que chamamos da física de atrito, imprescindível para o processo de crescimento. Esse atrito produzido devido ao encontro dos dois poderes (positivo e negativo) leva a um processo inter-relacional autogerador, com o propósito de estabelecer o equilíbrio, logo, o três é um e o um é três ao mesmo tempo, que na teologia católica chama-se de Mistério da Santíssima Trindade, tipificando com as imagens do Pai, Filho e Espírito Santo.

A primeira trindade da Árvore da Vida, encontra-se na parte superior da mesma, ligando às sephiras 1 (Kether), 2 (Chokmah), e 3 (Binah); a segunda tríade localizada no centro da árvore, liga as sephiras 4 (Chesed), 5 (Geburah), e 6 (Tiphareth); e a terceira e última tríade, liga as sephiras 7 (Netzach), 8 (Hod) e 9 (Yesod), todas elas representando o padrão de evolução em três etapas. Esse padrão descrito acima, representa o padrão horizontal de evolução segundo a Árvore da Vida, o segundo padrão é o vertical, onde os três pilares (Direito – Misericórdia, Esquerdo – Julgamento e o Central – Equilíbrio), agrupam as dez sephiras da Árvore nas três colunas verticais.

Depois dessa explanação, vale a pena lembrar que as trindades são arquétipos fundantes e encontradas em diversas culturas do mundo como por exemplo, o antigo emblema taoísta com o Yin e Yang que são compostos por duas forças que se complementam no interior de um círculo formando o diagrama unificado da essência suprema. Temos também o modelo trinitário do Egito mitológico, composto por Osíris, Ísis e Hórus, Na Índia Védica a trindade hindu, também chamada de Trimurti composta por Brahma (criador), Vishnu (mantenedor) e Shiva (transformador), na trindade sumeriana, Anu, Enlil e Ea, entre diversas outras. Além desses aspectos aqui abordados sobre a trindade, existem diversos outros relacionados com a Cabala, porém, deixaremos esses para um próximo artigo.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

PREVISÕES CABALÍSTICAS PARA 2017


Por Kadu Santoro

Segundo o calendário gregoriano ocidental, estamos entrando no ano de 2017 da era cristã. Analisando cabalisticamente essa data, através da gematria, temos a seguinte equação: 2017 = 2+1+7=10. Na Árvore da Vida, o número 10 representa a sephira Malkuth, o Reino, local onde nos encontramos densificados. Saímos de 2016 que era 9 (2+1=6=9), Yesod na Árvore da Vida, o Fundamento, ou seja, a preparação para a entrada na terra prometida, o Reino que encontra-se dentro de nós, a vereda interior, logo, estamos entrando numa nova dimensão em 2017, a dimensão do Reino (10), onde esse caminho é também chamado de Inteligência Resplandecente, tendo sua sede em Binah (Compreensão), iluminando o fogo de todas as luzes e emana o poder do princípio das formas, ou seja, a concretização em Malkuth. O lema da lei de três regente em 2017 será estabilidade, unidade e harmonia.

O número 10 consiste no mundo das necessidades, sempre recebendo sem se tornar mais. É o único ramo da Árvore da Vida que tem a característica de acolher e absorver todos os seus poderes única e constantemente dos outros nove ramos acima.

No último ramo da Árvore da Vida, tudo se inter-relaciona e é interdependente dentro da estrutura dos quatro elementos primordiais da vida. Aqui, os poderes inerentes ao Fogo, a Água e o Ar misturam-se com o “pó”, formando o quarto elemento, a Terra.

Para os místicos, o número 10 possui significado especial. Com o décimo ramo da Árvore da Vida, a década de números confirma que os números 1 e 10 são de fato semelhantes. Lembrando do axioma hermético: “Assim como é em cima, da mesma forma é em baixo”... O Um está no Dez, e o Dez encontra-se no Um.

Segundo a Cabala, podemos dizer que esse ano de 2017, é o ano do estabelecimento do Reino, porém, do Reino Interior, da vereda dos Justos (Tzadik), de uma grande transformação da consciência planetária, uma oportunidade para que a humanidade volte-se mais para dentro de si (a terra prometida), o despertar do re-ligare interior, pois estamos no romper da era (Ion) do dia, onde devemos tomar posse das nossas responsabilidades, não culpando mais ninguém pelos nossos fracassos e desprazeres. Será um ano de despertar da maturidade, tanto psicológica quanto espiritual, onde os homens não necessitaram mais dos modelos religiosos já ultrapassados, dos “ismos” predominantes na era da noite, e sim, de um encontro íntimo com o Eu Superior, a nossa Centelha Divina que habita em nós, a comunhão com o Uno.

Segundo a Cabala Astrológica, o ano de 2017 será regido por Saturno. O planeta Saturno é um dos corpos celestes mais incompreendidos e temidos da simbologia astrológica, porque representa tudo aquilo que diz respeito à nossa responsabilidade e às nossas obrigações, conosco e com a sociedade em que vivemos. Ele é considerado como o princípio organizador da vida, logo, crescimento e amadurecimento serão cobrados nesse período. Embora Saturno gere certo temor, devemos olhar para ele como um mestre ancião, como um portador da sabedoria e ponderação, virtudes que não é comum ser encontrada nos outros planetas do panteão astrológico.



Em suma, o que Saturno cobrará de nós, é que sejamos mais sábios e maduros diante à vida, mais responsáveis e conscientes diante às grandes e significativas mudanças que irão ocorrer nesse ano de 2017. Ele nos ajudará a descobrir nossa capacidade de perseverança diante dos desafios, de forma que possamos concretizar nossas metas e objetivos, e sobretudo, assumirmos nossas responsabilidades conosco e com o nosso próximo, com muita astúcia, determinação e coragem. Chegou a hora da humanidade sair da condição infantilizada e medíocre em que se encontra, pois caso contrário, estaremos cavando a nossa própria sepultura e assim seremos excluídos da Árvore da Vida.

domingo, 1 de janeiro de 2017

FELIZ AGORA!



Por Kadu Santoro

Não há ano novo nem ano velho, muito menos o conceito de tempo, pois só existe o agora, o resto são convenções humanas que contribuem para o nosso estado de "sono", que nos mantém presos a tarefas a qual somos condicionados cotidianamente e gerenciadas pelo nosso ego. Inclusive tudo o que escrevi nessas primeiras linhas já não existem mais, pois assim é o pensamento, a mente, mente o tempo todo e quer nos ocupar, com a falsa ilusão que temos que estar sempre em movimento, fazendo algo, e assim, não sobra tempo para sermos quem realmente somos, não há espaço para o silêncio, para a essência, a lembrança de si, o encontro com o nosso Eu Superior. Neste aspecto os orientais tem muito a nos ensinar, pois eles não se ocupam com os por quês e os para quês, apenas vivem o processo em inteira comunhão com as leis da natureza, observando e contemplando tudo o que fazem, colocando a atenção plena desde as pequenas coisas até as grandes, enquanto isso, aqui, na nossa geração pós industrial e consumista, vivemos ocupando todo o nosso tempo em função do "ter", ao invés do "Ser", e isso tem gerado um estado de ansiedade e depressão global no ocidente, pois tudo aqui é feito para fora, para o exterior, e não para si, para o seu interior mais íntimo. Até no campo da espiritualidade ocidental, a religião é uma instituição pragmática, voltada para o ter, para prosperidade, onde seus adeptos vivem preocupados com a forma e não com a essência das mensagens dos grandes mestres espirituais, que por sinal, pregaram totalmente o contrário, a libertação do ego e do desejo para que possamos despertar para um nível consciencial mais elevado, como disse Jesus: meu reino não é desse mundo e ele encontra-se dentro de nós. Logo, uma virada de data, não é motivo para comemoração, essa comemoração deve ser a todo momento, em todo instante, como expressão de gratidão à luz eterna, por mais um agora, e assim por diante, pois só existe o agora. Outra grande diferença no conceito de tempo, é que no oriente, o tempo é cíclico, permitindo sempre a possibilidade de um novo evento, como dizia Jung em sua teoria da sincronicidade, enquanto no ocidente, o conceito de tempo foi cristalizado de forma linear, em passado, presente e futuro nos moldes hegelianos, onde ficamos aprisionados, condenados pelo passado e ansiosos pelo futuro, de forma teológica que só temos essa oportunidade, pois após esse "tempo" só nos restará queimar na eternidade ou viver adorando a Deus por ela. Infelizmente esses conceitos absurdos ainda vivem assombrando as pessoas, e com isso, vivem com medo, deixando de viver o agora, preocupados com esse terrorismo teológico. Para finalizar, deixo uma mensagem de que todos possam ser livres seja em que tempo for, livres para viverem consigo mesmos, livres de toda forma aprisionante de pensamentos, livres de crenças, livres do ego, livres dos juízos de valores, livres de tudo aquilo que vos impedem de caminhar (passado) e lhes produzem ansiedade (futuro), pois só existe o agora, lembre-se sempre de si, proponha encontros com o seu Eu Superior durante o dia, pare por alguns minutos e procure lembrar de si, dessa porção vital que habita em ti que é imortal e encontra-se aprisionada nesse corpo denso, lembrando que despertando nossa consciência crística ou búdica, iremos evoluir para um corpo mais sutil, e assim por diante, até nos tornarmos luz pura. Esse é o processo, e depois de atingir essa iluminação, tudo começa do zero, como chamam os hindus, a noite e o dia de brahma, o símbolo do oito deitado, a condição cíclica do universo. Vivam o novo a cada instante, pois na frente não há nada, apenas projeções da mente, porém, devemos lembrar que nós não somos a nossa mente, e tudo o que ela produz é maya (ilusão), pois a verdade encontra-se além da nossa lógica, na experiência pessoal e intransferível, e não pode ser explicada, apenas vivenciada, e é nesses momentos que nos encontramos com a nossa porção imortal, o nosso verdadeiro Eu. Desejo a todos um FELIZ AGORA COM MUITA PAZ E LUZ!!!