sexta-feira, 27 de maio de 2011

“Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.” Sl. 119.11


Após fazer algumas reflexões sobre o Salmo acima, me veio a mente algumas interrogações: Qual palavra estamos escondendo em nossos corações nos dias hoje? Como temos aplicado ela no nosso cotidiano, tanto para nossas vidas quanto para com o nosso próximo? Será que escondemos tanto, que acabamos por esquecer essa palavra?

Para tentar entender a primeira questão, comecei a analisar, como as Escrituras tem sido estudadas e ensinadas nos dias de hoje no contexto das igrejas. Infelizmente, muitos cristãos não tiram nem um tempinho por dia para lerem e estudarem as Escrituras, não buscam nelas preciosas palavras de vida, sabedoria e ensinamentos como deveria ser feito, estão vivendo um verdadeiro Evangelho Fast Food superficial, onde o importante é alcançar as bençãos e prosperidade rápidas. As classes de Escolas Bíblicas Dominicais passaram a ficar cada vez menos frequentadas e vazias. Sem o estudo das Sagradas Escrituras em nossas vidas, fica muito difícil possuirmos dentro de nós uma plena consciência a respeito de como conduzimos nossas vidas, logo acabamos perdendo os referenciais do que é certo e agradável perante à Deus e ao nosso próximo. Será que estamos guardando palavras de vida ou palavras de morte, inveja, soberba, ciúmes, mentiras e outras palavras torpes?

O fato do salmista guardar a Palavra no coração, representa que ela é muito importante e essencial para sua vida, tem muito valor perante a graça e justiça de Deus. Penso que sem um conhecimento mais profundo da Palavra, nossa intimidade com Deus também se torna superficial, e pior, pragmática, onde a relação com Ele é apenas na base de trocas e interesses, vivendo uma teologia da retribuição, ou seja, o homem busca a Deus na esperança de receber algo da parte Dele em troca de algum propósito.

A segunda questão, também nos apresenta um quadro nada razoável para muitos cristãos. Como temos aplicado essa Palavra no nosso cotidiano, e qual tem sido os frutos que ela tem trazido para nós mesmos e o nosso próximo? Se pouco buscamos o conhecimento das Escrituras, como podemos aplicá-las? Percebemos essa fragilidade quando observamos muitos cristãos tentando evangelizar, e por muitas vezes, acabam sendo indagados e tornam-se chatos e inconvenientes, pois lhe faltam um maior conhecimento Bíblico, mais intimidade com a Palavra, acabam muitas vezes falando em demasia e perdendo uma grande oportunidade de transmitir as Boas Novas para o seu próximo de forma branda, suave e agradável.

A terceira e última questão, tem haver com a soberba, a apostasia e a vaidade. Muitos cristãos acham que sabem o bastante, e acabam se estribando no próprio entendimento (Pv. 3.5). Guardam a Palavra de tal forma, que acabam esquecendo dela em seus corações, pois não há mais lugar para ela diante do ego enorme, porque vivem segundo as suas perspectivas humanas apenas. Esquecem elas como se esquecem do primeiro encontro com Deus, daquela união mística do primeiro amor. O autor do Livro de Hebreus sintetiza muito bem qual é a característica da Palavra que devemos ter guardadas em nossos corações: “Porque a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb. 4.12).

Kadu Santoro

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