segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A época e o pensamento de Tomás de Aquino


Tomás de Aquino viveu no século XIII, um período marcado socialmente por muitas transformações, como a crise do sistema feudal, que foi fortemente marcado por três grandes episódios simultâneos: a grande fome gerada em função de períodos de rigoroso inverno e pela estagnação da terra, a peste negra, que exterminou milhares de pessoas e por fim as sucessivas guerras européias fomentadas pela igreja e pela nobreza, em função de expandir seus territórios. O modelo teocrático proposto por Agostinho ( clero / nobreza / escravos ) estava se diluindo em função do surgimento da classe dos burgueses e do êxodo rural para os grandes centros urbanos. Por outro lado, esse século também ficou marcado como o século de ouro da idade média, onde a civilização européia medieval, atingiu pontos culminantes nos campos das artes, literatura, política, filosofia e teologia.

O que distigue o pensamento dos homens deste tempo, é a tentativa de se buscar um perfeito equilíbrio entre a fé e a razão, entre a autonomia do homem e a sua mais rígida submissão à Deus. Esses traços se manifestam em especial na pessoa de Tomás de Aquino, considerado uma das figuras mais influentes deste período, e sem dúvida um dos maiores filósofos e teólogos de todos os tempos.

Tomás de Aquino nasceu em 1225 na cidade de Roccasecca, perto de Nápoles, filho de nobres, quando jovem, recebeu sua primeira educação dos beneditinos do mosteiro de Montecassino, em 1239 ingressou na Universidade de Nápoles, e pouco tempo depois entrou para a ordem dos dominicanos. Após atritos entre a família, Tomás de Aquino foi para o convento dominicano de Paris, onde lá, recebeu ensino e instruções de Alberto Magno, cuja influência sobre o jovem foi intensa, especialmente na formação filosófica, onde Tomás teve seu primeiro encontro com a filosofia de Aristóteles, que graças a dois grandes filósofos do mundo árabe, Averrois e Avicena, a civilização ocidental passou a conhecer esse grande gênio da filosofia grega e seus pensamentos. Depois de obter o grau de “mestre em teologia”, Tomás lecionou essa disciplina em Sorbona, e mais tarde assumiu o cargo de teólogo papal na corte pontifícia. Passou seus últimos anos no convento de Nápoles, onde compôs sua majestosa obra “Suma Teológica”, comentando Aristóteles e pregando ao povo. Em janeiro de 1274, a convite do papa Gregório X, pôs-se a caminho de Lião, para participar do concílio, porém, antes de chegar a esse encontro faleceu em 7 de março de 1274 no claustro cisterciense.

O pensamento de Tomás de Aquino era com base Aristotélica, contrário ao pensamento de seu adversário Boaventura, que tinha como base de raciocínio filosófico, o platonismo. Ao mesmo tempo que Tomás usava os métodos aristotélicos para elaborar seus pensamentos, ele também não permitia que esse, viesse de encontro com as doutrinas da Igreja Católica. O seu propósito era construir uma grande síntese entre a fé e a razão, entre a filosofia e a teologia, e por final, entre a filosofia de Aristóteles e a doutrina da Igreja. Tomás também demonstra verdadeira admiração pela obra de Agostinho de Hipona, mas também critica muitos aspectos dessas doutrinas, e propõe outras mais sólidas. Tomás de Aquino participou de muitas discussões pertinentes aos dogmas da Igreja, como por exemplo, questões sobre a criação do universo, sobre as naturezas de Deus, quem é Deus e a questão da transubstanciação.

Para concluir, Tomás de Aquino coloca a filosofia a serviço da verdade e esta, a serviço de Deus, todas suas obras estão voltadas para um único fim, que é a majestade e soberania de Deus. A questão “quem é Deus”, foi o motivo e o lema que caracterizaram toda a obra de Tomás de Aquino, para ele, Deus existe, ele é a causa de todos os seres e, é infinitamente superior a tudo, essa é a conclusão e o ponto mais alto do saber na vida terrena, segundo Tomás de Aquino.


Bibliografia:
- LANE, Tony, Pensamento Cristão vol. I – Dos Primórdios à Idade Média, Editora Abba Press, SP, 2007.
- MONDIN, Batista, Curso de Filosofia – Vol. I, Paulus, SP, 1981


Kadu Santoro

Nenhum comentário:

Postar um comentário